Rússia e a Síria estão a ser acusados por diplomatas ocidentais de terem impedido investigadores de acederem a certos locais na cidade de Douma, onde um ataque com alegadas armas químicas matou dezenas de pessoas e precipitou um ataque aéreo por parte dos EUA, Reino Unido e França.

Um porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Kirillov, anunciou ainda esta tarde que os peritos poderão estar no local a recolher provas já a partir desta quarta-feira.

Os dois países terão citado "problemas de segurança à espera de resolução" como motivo para impedir a entrada de investigadores da Organização para a Proibição de Armas Químicas, disse o líder desta organização, Ahmet Üzümcü, numa reunião da mesma.

Em vez de acesso ao local onde os especialistas acreditam ter ocorrido o ataque, as autoridades sírias "cederam" 22 pessoas que podiam ser investigadas. "Espero que todos os preparativos sejam feitos (...) para que a equipa possa partir para Douma o mais rapidamente possível."

Ainda hoje, a administração de Donald Trump acabou por não indicar quais as sanções que ia tomar contra a Rússia por ter, alegadamente, ajudado a Síria a desenvolver um programa de armas. Nikki Haley, a representante norte-americana nas Nações Unidas, tinha dito dias antes que as sanções iriam ser anunciadas esta segunda-feira. No entanto, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders avisou esta tarde: "Estamos a considerar aplicar mais sanções à Rússia e iremos tomar uma decisão muito em breve".

Segundo noticiou o The Washington Post, Trump foi responsável por atrasar a implementação das sanções, por não se sentir "confortável em aplicá-las", afirmou fonte anónima ao jornal norte-americano.

Esta segunda-feira, Theresa May acusou a Síria e a Rússia de bloquearem acesso e tentarem esconder o ataque. "O regime sírio tem estado a tentar esconder as provas", disse a líder britânica.

No dia 7 de Abril morreram mais de 70 pessoas na sequência daquilo que os especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas consideram ter sido um ataque químico. Mais de 500 pessoas ficaram feridas.

Autor: Diogo Barreto/Sábado