Temer adia viagem à Ásia no meio de nova vaga de denúncias

Estava previsto ir à Indonésia, Singapura, Tailândia e Vietname

O presidente do Brasil, Michel Temer
O presidente do Brasil, Michel Temer

O presidente brasileiro, Michel Temer, adiou mais uma vez a viagem que iria fazer a quatro países da Ásia a partir desta semana e que já tinha adiado em Janeiro passado. Temer enfrenta neste momento uma nova vaga de denúncias de corrupção contra si, familiares e assessores, mas nega que o novo adiamento da viagem oficial tenha a ver com isso.

Em comunicado enviado esta segunda-feira às redações, incluindo a do Correio da Manhã em São Paulo, a Secretaria Especial de Comunicação da presidência afirmou que "só pessoas desinformadas" espalhariam a notícia de que Temer não viajaria por causa das investigações que neste momento o atingem.

Segundo o comunicado, Michel Temer decidiu adiar a viagem oficial que faria à Indonésia, Singapura, Tailândia e Vietname porque, se saísse do Brasil, forçaria igualmente a saída do país dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício de Oliveira, e paralisaria o Congresso numa semana em que estão marcadas votações de medidas importantes, que o comunicado no entanto não especifica e que dificilmente acontecerão, já que por causa do feriado de 1. De Maio poucos congressistas aparecerão em Brasília.

É que a lei eleitoral impede candidaturas de pessoas que tenham ocupado a presidência da República nos seis meses anteriores às eleições. Assim, se Temer saísse do país, Maia e Eunício, seus substitutos naturais, ficariam impedidos de disputar qualquer cargo nas eleições do próximo mês de Outubro se o substituíssem no cargo, mesmo que por apenas algumas horas.

Entre outras, Temer está a ser alvo de uma grande investigação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República por suspeita de ter editado um decreto especial para favorecer empresas portuárias em concessões públicas em troca de "luvas" milionárias. A investigação já atingiu em cheio assessores e amigos muito próximos ao presidente e até uma filha dele, Maristela Temer, acusada de ter pago a remodelação da sua elegante casa em São Paulo com mais de 300 mil euros em dinheiro vivo oriundos do suposto suborno dado ao pai.

O governante nega as acusações e sexta-feira fez um discurso à Nação dizendo-se vítima de perseguição política e de calúnias que difamam a sua honra e a da sua família. Entidades que representam a Polícia Federal, responsável pela investigação, insurgiram-se imediatamente contra o discurso presidencial e afirmaram por seu turno que a corporação não persegue nem protege nem calunia ninguém, apenas se limita a apurar factos.

Nos meios próximos a Temer, é dado como certo que a nova Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, está a preparar uma nova denúncia de Temer à justiça por corrupção. No ano passado, o antigo Procurador-Geral, Rodrigo Janot, apresentou outras duas denúncias contra o presidente, por corrupção e organização criminosa, mas depois de Temer ter disponibilizado milhares de milhões de euros para obras e projectos de parlamentares, o Congresso, a quem cabe autorizar ou não acções contra o chefe de Estado, travou a tramitação dos processos.

Autor: Correio da Manhã

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