Trump chamou "perdedores" e "otários" a soldados norte-americanos mortos em guerra

Fontes da Casa Branca dizem que presidente não visitou soldados americanos em 2018 por considerar que não deviam ser honrados

No cemitério e memorial de Aisne-Marne, no norte de França, estão sepultados centenas de norte-americanos que morreram. Em 2018, o atual presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, não visitou o local devido à chuva que impedia "os helicópteros de voarem", explicou na altura. Mas quatro fontes referem que na verdade o presidente não achava que era importante visitar combatentes norte-americanos mortos.

Dois anos depois do caso, a revista norte-americana The Atlantic cita quatro fontes que acompanharam o presidente na viagem a afirmarem que Trump disse: "Por que é que eu devia ir a esse cemitério? Está cheio de perdedores". Mais tarde, referiu-se mesmo aos 1.800 fuzileiros dos EUA que morreram em Belleau Wood como "otários" que se deixaram morrer. Segundo a revista, o presidente norte-americano mostrou ainda preocupações com a chuva e qual o efeito que a mesma poderia ter no seu cabelo.

A Casa Branca respondeu ao jornalista da publicação afirmando: "Esta reportagem é falsa. O presidente Trump tem as tropas na máxima consideração. Ele mostrou o seu compromisso para com eles em todas as hipóteses, cumprindo a sua promessa de dar às nossas tropas o muito merecido aumento salarial, aumentando a despesa militar, atribuindo reformas aos veteranos e apoiando os cônjuges de militares".

Belleau Wood foi o campo de uma importante batalha durante a I Guerra Mundial. Milhares de norte-americanos tentaram travar as tropas alemãs de marcharem em direção a Paris. Segundo a publicação norte-americana, o presidente mostrou desconhecimento sobre a batalha em causa e questionou mesmo a decisão dos EUA em apoiarem os Aliados. 

Estas declarações ressoam as que foram feitas pelo atual presidente durante a campanha presidencial de 2015 sobre o outro candidato à nomeação republicana, o falecido senador John McCain. McCain foi um soldado norte-americano que passou cinco anos como prisioneiro de guerra no Vietname, durante a Guerra do Vietname (1955-1975). Na altura, Trump afirmou que McCain não era "um herói de guerra" e que "gostava das pessoas que não tinham sido capturadas".

Mas o presidente foi ainda mais longe e quando o senador morreu, em 2018, Trump terá afirmado: "Não vamos apoiar o funeral desse perdedor", tendo mesmo criticado o facto de as bandeiras dos EUA terem sido hasteada a meia-haste em respeito ao senador. O presidente não foi convidado para o funeral do histórico republicano.

Mas a sua história de alegado desrespeito pelos militares vai mais fundo, tendo até desconsiderado o antigo presidente George H. W. Bush, antigo piloto da Marinha durante a II Guerra Mundial, por ter sido abatido pelos japoneses.

Numa reunião na Casa Branca para o planeamento de uma paradas militares em 2018, Trump pediu à equipa encarregue de preparar o evento para não incluir veteranos que tivessem marcas de guerra visíveis, afirmando que quem visse a parada se sentiria desconfortável na presença de amputados. "Ninguém quer ver isso", terá dito.

Por Sábado
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