Tsunami Democràtic, o movimento que trouxe Guardiola para os protestos na Catalunha

Mantêm-se anónimos e utilizam redes encriptadas para comunicar. Ministério do Interior já está a investigar

A confusão irrompeu em Barcelona assim que se conheceu a sentença dos independentistas catalães. Os doze políticos envolvidos na preparação e execução do referendo independentista de 1 de outubro de 2017 foram condenados a penas de prisão até 13 anos, e a população catalã não concordou. Os manifestantes ocuparam vários locais chave da capital catalã - estradas, estações de comboio -, mas não por sua iniciativa. Por trás desta vaga de desobediência civil está um movimento com pouco mais de um mês que usa as redes sociais para mobilizar sem deixar qualquer rasto.

O Tsunami Democràtic apresenta-se como um movimento de cidadãos que se juntou no início de setembro passado para dar "uma resposta à sentença com protestos não violentos e desobediência civil". Atualmente, conta com mais de 240 mil membros no Telegram, uma rede social fechada e encriptada e 160 mil seguidores no Twitter, os canais principais para comunicar com aqueles que querem fazer parte do mesmo.

Ainda que seja apoiado pelos principais movimentos independentistas catalães, como o ERC, o JxCat, a Assemblea Nacional Catalana (ANC) ou a Òmnium Cultural, estes não estarão na liderança do Tsunami Democràtic. Então quem está? Ninguém sabe. Como aponta o jornal La Vanguardia, apenas se sabe que movimento seguirá uma estrutura de organização top down, ou seja, as ordens veem da estrutura superior e chegam a todos os níveis através das redes sociais, não havendo qualquer outro contacto entre si.

"Os nomes [dos líderes] são o menos importante numa campanha coletiva", aponta o movimento no seu site. "O importante é termos o mesmo paradigma. Nesse caso, é simples: o Tsunami Democràtic pede o livre exercício dos direitos fundamentais, a liberdade dos prisioneiros e exilados e o pleno reconhecimento do direito à autodeterminação na Catalunha. "

Telegram e aplicação própria

O principal meio de comunicação utilizado pelos membros do movimento é o Telegram, canal semelhante ao Twitter muito popular para comunicações anónimas que é totalmente encriptado. A juntar-se a isto está a utilização de uma rede de email criptografado com servidores na Suíça, comunicações internas no Signal, outra das aplicações de mensagens mais seguras do mundo, um site oficial registado nas Antilhas e, desde dia 14 de outubro, uma aplicação só acessível através de um código que só utilizadores já registados têm acesso.

Assim, a maior parte das mensagens enviadas através destas aplicações estão protegidas por várias camadas de código que impedem o seu acesso. E mesmo que a justiça consiga aceder a essas comunicações elas não podem ser utilizadas em tribunal.

Foi assim que o movimento terá distribuído centenas de cartões de embarque para os dois principais aeroportos do país, Barcelona e Madrid, para que os protestantes conseguissem bloquear as portas de embarque. "Deixaste o teu bilhete de avião em casa? Não te preocupes. Se quiseres temos centenas de bilhetes para os voos de hoje. Vemo-nos no terminal 1", pode ler-se num dos tweets da organização. 110 voos foram cancelados.

Assim, o objetivo da organização é que todos os que se queiram manifestar estejam a postos e à espera das coordenadas para o próximo ponto de encontro. Recomendam ainda que todos levem um rádio, sapatos confortáveis, comida e água para "para passar o dia fora de casa".

Sob investigação

A ação do Tsunami Democràtic não se ficará apenas pelos próximos dias. No site oficial, o movimento aponta que "o tsunami" não durará "nem uma semana ou três meses", mas sim "o necessário para alcançar os objetivos". Assim, o Ministério do Interior estará já a investigar o movimento.

"É claro que existem investigações, temos serviços de inteligência eficazes e acabaremos por saber quem está por trás disto", apontou Fernando Grande-Marlaska, ministro interino, esta terça-feira. Por agora, o movimento já conseguiu mobilizar perto de 30 mil pessoas, segundo apontaram fontes policiais ao El País, bem como uma figura conhecida que já veio a público incitar a revolução: Pep Guardiola. 




Por Sábado
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