«Vejo um carro a sobrevoar as nossas cabeças»: Tony Carreira leva as mãos à cabeça ao ouvir Cristina Branco
Tribunal de Santarém iniciou o julgamento do caso da morte de Sara Carreira
Seguir Autor:
O Tribunal de Santarém iniciou esta terça-feira o julgamento do caso da morte da cantora Sara Carreira, estando acusados de homicídio por negligência três dos quatro arguidos, entre os quais o cantor Ivo Lucas e a fadista Cristina Branco.
Segundo o Correio da Manhã, a fadista começou por dizer que, na noite do acidente, vinha de Almeirim, da casa dos pais. "O embate dá-se muito perto do pórtico de Santarém, o que eu me recordo, lembro-me de entrar na portagem e só me lembro depois do embate", descreve a fadista.
"Tenho um lapso temporal", reitera. "A minha memória imediatamente a seguir de sair da portagem é de pôr a mão no peito da minha filha e de travar e avisar: vamos bater", conta Cristina.
"Eu acho que os farrapos de memória que vão aparecendo têm mais a ver com o que eu li nos autos", acrescenta, referindo ainda que não se recorda de ver um carro à sua frente e que construiu a memória com base naquilo que foi lendo.
"Há um movimento que na verdade é simultâneo, eu ponho a mão no peito, travo e tentei desviar-me para o lado esquerdo. Depois do embate o airbag deflagra e eu acho que viro o carro, eu sinto que estou a bater numa parede"", continua a fadista.
Cristina Branco diz que quando atravessou a estrada perguntou a Paulo Neves se ele estava parado. "Havia muita confusão muito pó, eu sinto que o carro vira à direita e não sei quantas voltas deu, mas fiquei no sentido contrário, no centro da estrada", recorda.
"Eu não vinha a mais de 120 porque a minha ideia era colocar o carro a 120 para fazer o percurso normal", conta a fadista recordando que ainda não tinha colocado o limitador.
Diz que ligou os piscas, saiu do carro e foi buscar a filha ao lugar do passageiro. Recorda que seguiu para o separador central sem perceber que o carro estava ao contrário. "A minha carteira estava no carro, a minha filha tinha o telefone com ela e liguei para o 112, mas a chamada caiu", acrescenta a arguida.
"Liguei para o meu companheiro e peço para ele ligar para o 112", continua. "Eu estava ao telefone com o 112, abraçada à minha filha, foi a minha filha que viu esse momento e não eu", diz a fadista sobre o momento em que o carro onde seguia Sara sofreu o acidente.
"A minha filha começa a gritar e eu olho e vejo um carro a sobrevoar as nossas cabeças", recorda. Tony Carreira mete a mão na cabeça ao ouvir as palavras de Cristina.
A mulher descreve que o carro de Ivo ficou "como se estivesse estacionado em espinha na berma". "A minha filha diz que o carro vinha depressa eu não me apercebo", afirma ainda.
"Lembro-me do senhor Ivo, quando eu chego ao pé do senhor Paulo", conta recordando que só saiu do separador central quando a polícia chegou.
"Quando saio do carro vou ter com o senhor Paulo, pergunto-lhe se ele estava parado", revela Cristina.
"Respondeu com hesitação que não, mas para eu tirar dali a minha filha que aquilo não era cenário para ela", acrescenta.
A fadista termina dizendo que viu Ivo a aproximar-se da berma e que foi buscar um casaco porque "estava a chover e estava frio".