Viagra pode ser doping... se tomado em altitude

Está comprovado que o Viagra "pode aumentar o rendimento desportivo desde que tomado em associação com uma permanência em altitude", indicou Luís Horta, director do Laboratório de Análises e Dopagem.

"Se o atleta estiver a competir numa altitude acima dos 1.500 metros, o sildenafil [princípio activo do Viagra] aumenta o rendimento dos atletas", disse Luís Horta em declarações à Lusa.

Aquele médico especialista em doping assinalou, contudo, que dezenas de estudos efectuados nos últimos 4 anos não comprovaram que o princípio activo do Viagra (sildenafil) aumente o rendimento dos atletas que competem em zonas de baixa altitude, quando tomado nas doses terapêuticas aconselhadas.

O presidente da Agência Mundial Antidopagem (AMA), John Fahey, indicou que a organização está a patrocinar um estudo para avaliar se o uso de Viagra, que não está classificado como substância dopante, aumenta o rendimento desportivo dos atletas.

Luís Horta admite que o estudo patrocinado pela AMA incida sobre efeitos do sildenafil que ainda não estão estudados, designadamente se tomado em doses muito superiores às indicações terapêuticas pode ter um incremento no rendimento dos atletas, mesmo a baixas altitudes.

"Quando os atletas tomam uma substância dopante, geralmente as doses terapêuticas aconselhadas são muito excedidas", observou.

O director do Laboratório de Análises e Dopagem salientou, a título de exemplo, que, no caso dos esteróides anabolizantes, "os atletas chegam a tomar doses 100 vezes superiores às terapêuticas".

Luís Horta salientou que o Viagra, como outros medicamentos, tem efeitos secundários, principalmente se não for tomado com a dosagem aconselhada ou se for ministrado a pessoas com contra-indicações.

John Fahey, presidente da AMA, salientou que "não há evidências" de que o Viagra aumente a performance dos atletas e sublinhou que nenhuma decisão foi tomada em relação a uma eventual inclusão do sildenafil na lista de substâncias proibidas.

Fahey recordou que a AMA não tem mandato para definir quaisquer sanções, que é uma matéria da competência do Comité Olímpico Internacional e das federações desportivas internacionais.

Segundo notícias recentemente saídas na imprensa brasileira, o director clínico da Pfizer (multinacional que produz o Viagra), garantiu que o medicamento é um produto para prescrição médica, indicado para a disfunção eréctil e hipertensão pulmonar, que "só funciona quando existe uma deficiência nos vasos" sanguíneos.

"Ele não é capaz de dilatar um vaso que já está no seu máximo", garantiu aquele responsável da Pfizer.

O Diário de Notícias, num texto de 2006, assinalava que um número crescente de amostras de urina de atletas de alta competição, particularmente de ciclistas, revelaram a presença de vestígios de sildenafil e que algumas equipas de futebol da América Latina que jogam a grandes altitudes utilizam Viagra para se adaptarem a essas condições.

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