Pescadores em festa no Portinho da Arrifana

São seis da tarde de um sábado escaldante. A praia começa a esvaziar-se porque, ali ao lado, no molhe, os membros da Associação dos Pescadores do Portinho da Arrifana preparam já as suas embarcações para a tradicional benção e a também inevitável procissão até à Pedra da Agulha, bem como a deposição de flores no mar em memória daqueles que abandonaram para sempre a faina da pesca. No molhe, os novos 'navegadores' envergam coletes, não vá o mar da Costa Vicentina tecê-las, ansiosos pelo início da experiência mareante. O Jorge tem já a sua embarcação a postos. É fácil saber qual é - distingue-se de todas as outras pela cor laranja, ainda que esta já esteja a precisar de uns retoques. Embarcam seis pessoas, entre as quais a Isabel, carregada com o equipamento que permitirá ilustrar fotograficamente este texto. Os que ficam em terra continuam a preparar os fogareiros. Nuvens de fumo espalham-se pela zona da lota. Começou a Festa dos Pescadores.

Regressados os barcos ao porto, em troca de dez euritos - que revertem para a Associação - fica-se com uma caneca e, com ela na mão, tem-se direito a comer e beber sem limitações. Cada um vai buscar uma caixa de sardinhas e procura um grelhador, ou então 'crava' aqueles que já estão em fase mais adiantada do repasto. Sardinhas não faltam - e estavam boas! Tal como a cerveja, geladinha. E como era à borla...

A praia está agora quase vazia, apesar de a tarde ser ainda convidativa e o mar se mostrar dócil. O sol vai-se pondo, devagarinho. O porto está cheio, sobretudo de malta jovem que, por momentos, esqueceu o surf e se prepara já para a noitada que se avizinha. Há muitos estrangeiros, daqueles que souberam da beleza desta costa através do "passa-palavra" e que vêm até aqui de mochila às costas e botas para as caminhadas pelos trilhos da falésia, à descoberta das maravilhosas praias da região. Os pescadores aceitam-nos bem e com eles convivem alegremente. Umas imperiais também facilitam o entendimento e o diálogo.

No nosso grupo, as duas caixas de sardinhas que o Jorge trouxe estão quase esgotadas. O grupo era grande e a procura ainda maior. Assadas por um pescador... parece que sabem melhor. A noite foi caindo e a festa transferiu-se para o recinto onde fica localizada a sede da Associação e os armazéns onde os pescadores guardam as artes. Num palco improvisado, um conjunto ataca músicas conhecidas e mete tudo a balançar. Agora é já festa para a juventude e está para durar. Na manhã seguinte, o Jorge mais o pai ainda encontram alguns embalados quando se dirigem para a faina. Há redes para recolher e outras para lançar. Pescador não tem domingo de praia.

Por Eládio Paramés

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