_
Há smartphones que mudam muito de uma geração para a seguinte e há outros que preferem melhorar, aos poucos, uma fórmula que já conhecem bem. O Google Pixel 11 Pro está claramente neste segundo grupo. Por fora, é difícil distingui-lo do antecessor, o que para os mais puristas da inovação até pode ser uma 'major red flag' - embora a barra das câmaras tenha sido redesenhada e o conjunto esteja agora mais cuidado do ponto de vista visual.
Continua a ser um telefone elegante, sólido e com um ecrã de 6,3 polegadas que impressiona, sobretudo quando usado no exterior. A Google fala em até 3600 nits de brilho e num novo revestimento mais resistente aos riscos, mas são melhorias que se entendem mais na utilização do que propriamente numa análise das características técnicas. Também há mais armazenamento de base, agora com 256 GB, e carregamento sem fios mais rápido, com suporte para Qi2.2 até 25 W. São boas notícias, mas nenhuma delas muda a experiência de forma isolada ou revolucionária.
Mas é na forma como o Pixel tenta ser mais útil que se encontra a verdadeira novidade. O Gemini, a joia da coroa da Google, está ainda mais integrado no telefone e consegue, em determinadas situações, cruzar informação entre aplicações e antecipar aquilo que podemos precisar. A ideia é boa, embora ainda esteja longe de ser algo que se sinta a toda a hora e que mude a nossa vida de forma radical. O mesmo vale para a pequena luz na traseira, criada para permitir perceber determinadas notificações ou saber o que está a acontecer quando o telefone está pousado com o ecrã virado para baixo. Pode ser útil para chamadas de contactos importantes, mas, pelo menos nesta fase, parece mais uma boa ideia à procura de mais utilizações do que uma função indispensável. A própria Google admite que irá acrescentar novas possibilidades no futuro. Veremos o que aí vem...
A fotografia continua a ser um grande argumento para comprar um Pixel Pro. A câmara principal recebeu um novo sensor e a teleobjetiva de 5x foi também melhorada, com maior capacidade para trabalhar em condições de pouca luz. Na prática, a diferença nota-se sobretudo na rapidez: a câmara abre e dispara mais depressa, o que é especialmente importante quando estamos a fotografar pessoas ou situações que não se repetem. O modo de retrato também está mais convincente, principalmente no recorte do cabelo, enquanto o zoom pode chegar aos 120x e produzir resultados úteis em determinadas situações. Há ainda novas opções para dar às fotografias um aspeto diferente diretamente na aplicação da câmara. É uma mudança pequena, mas bem-vinda: depois de várias gerações em que os Pixel apostaram sobretudo numa fotografia muito processada e previsível, há agora mais espaço para escolher como queremos que a imagem fique.
A outra novidade interessante é a possibilidade de guardar automaticamente alguns momentos de um vídeo ou de uma sequência de imagens, o que é útil sobretudo quando estamos a fotografar algo que acontece rapidamente. Não substitui a capacidade de escolher a fotografia no momento certo, mas pode evitar aquela situação tão comum em que chegamos à galeria e percebemos que nenhuma das fotografias ficou exatamente como queríamos.
No desempenho, o novo Tensor G6 também torna o telefone mais rápido e eficiente, embora não devam esperar uma diferença gigantesca face à geração anterior. Para utilização normal, o Pixel 11 Pro é rápido e muito agradável de usar; já nos jogos mais exigentes, continua a não ser a escolha óbvia para quem procura o máximo desempenho. A bateria é mais tranquila: num dia normal chega para não andar constantemente à procura de uma tomada, embora utilização intensa possa mudar rapidamente esse cenário.
No final, é difícil dizer que o Pixel 11 Pro seja uma má compra. Na verdade, é precisamente o contrário: é um dos smartphones mais completos da Google e uma excelente escolha para quem valoriza fotografia, uma experiência Android limpa e ferramentas que tentam tornar o telefone mais útil no quotidiano. O problema está em perceber para quem faz realmente sentido. A 1.219 euros, o investimento é considerável e, para quem já tem um Pixel 10 Pro, as diferenças dificilmente justificam uma troca imediata. Para quem vem de uma geração mais antiga, a conversa é outra.
O Pixel 11 Pro mostra que a Google encontrou uma fórmula de que gosta e, em vez de a deitar fora e/ou transformar por completo, decidiu afiná-la. Talvez não seja o telefone que mais entusiasma quando sai da caixa, mas é daqueles que vão revelando aos poucos as razões pelas quais continuam a fazer sentido depois de algumas semanas de utilização.
E, para quem usou o 9 e o 10, ter o 11 é a evolução que dá vontade de continuar ligado ao Pixel por mais um ano. Se calhar faltam algumas inovações extra, até para justificar o preço de entrada superior - já que o novo modelo Pro surge somente em 256GB (com 12GB de RAM) ou 512GB (com 16GB de RAM), que estará à venda por 1.359€ -, mas a verdade é que, com menos artifícios do que alguma da concorrência, este é um daqueles smartphones que raramente falha. E sabendo o que esperar... pelo menos não temos surpresas desagradáveis.