Carlos Carvalhal, treinador do Rio Ave, considerou que o futebol português "cumpriu a sua missão de ajudar a alertar a sociedade para a gravidade da situação" da Covid-19.
O treinador dos vila-condenses vincou que "o futebol é apenas uma das partes da vida que menos interessa em relação aos problemas de saúde", mas que conseguiu ser "um veículo de propaganda muito forte para transmitir uma mensagem de consciencialização".
"Em Itália, atrasaram-se um pouco, mas aqui em Portugal, também por ação dos capitães de equipa, conseguiu-se tomar uma decisão célere e justa, que não só travou o aglomerar de pessoas nos jogos de futebol, como também consciencializou as pessoas para o drama que vivemos", partilhou Carlos Carvalhal, em declarações à agência Lusa.
O treinador entende "que as competições de futebol não vão recomeçar tão cedo" e partilhou o pedido feito aos seus jogadores do Rio Ave "para que cumpram as recomendações de recato social" e sigam medidas que o clube tinha imposto há algum tempo.
"Já há 15 dias que no Rio Ave antecipámos esta situação e limitámos o contacto físico e social no dia-a-dia. Adotámos comportamentos de prevenção, seguindo recomendações que só agora foram decretadas pelo Governo. Aliás, acho que o Rio Ave, e outros clubes, conseguiram antecipar a situação mais cedo do que o nosso sistema político", defendeu Carlos Carvalhal.
A nível pessoal, o treinador da formação vila-condense, que é natural de Braga, não só cumpre à risca às recomendações gerais de recato social, como as leva a um outro patamar, devido a contingências familiares.
"Na minha família, somos quatro, mas como tenho pessoas de risco, adotei tolerância mínima. Estou a dormir num apartamento cedido por um amigo, e não entro em minha casa. Vou para lá à hora do almoço, mas faço a refeição no exterior e a minha mulher e os meus filhos no interior. Uso pratos e talheres de plástico e só tenho contacto visual. Não posso facilitar", desabafou Carlos Carvalhal.
O treinador contou que lhe cabem as tarefas de fazer as compras para sua casa, mas também para os seus pais e para os sogros, e que os assuntos de trabalho no futebol não entram, por enquanto, nas rotinas.
"Não tenho tido tempo para coisas do futebol. Sou um grande consumidor de notícias, mas a minha energia está toda voltada para cuidar da minha família. Como sinto que não vamos treinar tão cedo, vou ter tempo para voltar a pensar no trabalho e em recuperar rotinas", garantiu.
JPYG // AMG
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