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Chegar aos 400 mil federados: FPF apresenta plano estratégico e mantém objetivo do ex-líder Fernando Gomes

Pedro Proença
• Foto: Lusa

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) apresentou, esta terça-feira, o plano estratégico de desenvolvimento para o período 2024-2036, no qual se insere, entre outros, o objetivo de atingir os 400 mil federados... uma visão para o futuro que já fazia parte do plano estratégico para 2030 apresentado por Fernando Gomes em 2022. 

Na altura, o então presidente da entidade, que saiu do cargo em 2024, já havia incluído no seu plano como objetivo de duplicar o número de atletas inscritos. No final da última temporada, a FPF revelou que tinha atingido o máximo de praticantes federados: 250.7 mil, um aumento de 31% relativamente a 2018/19. 

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O foco mantém-se agora com vista ao ano de 2036 e para tal há que virar o foco para a formação “com um plano dedicado à detenção de talento luso-descendente e ao reforço da ligação ao desporto escolar”, sendo um destes pilares a criação da primeira universidade de futebol do mundo.

Sob o lema ‘unir o futebol’, aprovado pela direção liderada por Pedro Proença, este plano estratégico foi apresentado de forma ambiciosa, constituindo “um marco na missão da FPF”, especialmente num “contexto marcado por transformações económicas, sociais e tecnológicas no mundo”.  

“Sistematiza a resposta preparada pela FPF para superar os desafios com que a modalidade está confrontada e potenciar o talento que nos distingue e inspira a paixão dos adeptos, por todo o mundo: assumimos a ambição de sermos melhores”, pode ler-se no documento apresentado pela entidade.  

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No programa são destacados 10 eixos estratégicos, nos quais cada um representa uma dimensão essencial do ecossistema, destacando-se a afirmação do futebol no feminino, a revolução na arbitragem, o crescimento da formação, a alteração dos quadros competitivos e, naturalmente, o Mundial 2030, que Portugal irá acolher, juntamente com Espanha e Marrocos. 

Relativamente à arbitragem, a ideia passa por triplicar o número de árbitros para 13 mil, recrutando, retendo e valorizando o talento, mas, principalmente, reforçando a formação contínua na especialização técnica e inovação tecnológica. A FPF realça que a escassez de juízes não acompanha as necessidades das competições nacionais, fazendo com que a sobrecarga de jogos comprometa a qualidade das decisões em campo. Além desse ponto, é também referido a necessidade da criação de uma entidade externa profissional de arbitragem, que possa liderar esta área de forma independente.

Por outro lado, a alteração dos quadros competitivos já não é assunto recente e vem sendo abordado nos últimos anos. Em aberto está a discussão sobre o atual modelo da Taça da Liga, de forma a responder aos constrangimentos do calendário internacional, bem como a eventual reestruturação do formato da Supertaça e da Taça de Portugal, com a hipótese de também avançar com uma final four em ambas as competições.  

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Nas propostas surge também a entrada mais tardia, na 4.ª eliminatória da prova rainha, das equipas mais bem classificadas da época anterior na Liga Portugal Betclic. Já a Liga Revelação também merece um destaque, dado que a FPF pretende colocá-la como última etapa de formação, limitando a inscrição de atletas não formados localmente e no clube.  

A afirmação do futebol feminino, que tem tido um crescimento notável na última década em Portugal, continua a ser ponto assente no programa. Embora essa evolução esteja à vista, continua “aquém do seu potencial” devido à falta de competitividade nas provas nacionais. Desse modo, os objetivos passam por melhorar as condições, equilibrando o acesso a infraestruturas, e oferecendo mecanismos de solidariedade para os clubes promovidos à Liga BPI.  

Por outro lado, também será necessário alargar a base de recrutamento, aumentar o número de praticantes, de 21 para 60 mil (no plano da anterior direção, a meta era chegar às 75 mil em 2030), e reforçar a formação de talento no país e a presença de mulheres nas áreas profissionais do futebol, de forma a assegurar um ecossistema mais representativo.

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O Mundial’2030 surge como uma oportunidade única para afirmar o futebol português como uma referência internacional e de forma sustentável. Para além da modernização de infraestruturas, serão também integrados programas de qualificação, como a formação de novos quadros para posterior integração no ecossistema competitivo, e a criação de um plano de sustentabilidade, promovendo a utilização de energias renováveis.  

Fazer parte desta competição trará também benefícios tecnológicos, visto que serão introduzidas experiências imersivas para os adeptos, que irão ajudar a posicionar o país na vanguarda da dinamização de eventos desportivos. 

No fundo, o plano estratégico apresentado pela FPF é uma visão para um futuro inovador, sempre com a ambição de vencer, não fosse esse um dos principais objetivos deste programa – conquistar uma competição internacional até 2036. Mas para além desse lado, Pedro Proença faz questão de sobressair o lado sustentável, mas também solidário. De recordar que no ano passado foi criada a Fundação FPF. 

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Por Ricardo Gomes
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