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O FUNERAL de Chico Gordo realiza-se sábado, pelas 15 horas. O corpo do antigo jogador de futebol sai do Hospital Garcia da Orta, em Almada, para o Cemitério de Sta. Marta de Corroios.
A sua morte deixou o mundo do futebol algo consternado. Aos 51 anos, foi vítima de um brutal e horrível acidente de trabalho, na madrugada de terça para quarta-feira passada.
Chico Gordo era empregado na firma Sulus, como operador não especializado na área da embalagem. Na altura do trágico acidente exercia a sua actual profissão – sim, já que isto do futebol, é certo e sabido, não dura sempre – na empresa Lusosider e supõe-se que tenha escorregado.
A máquina com que trabalhava apanhou-o e decepou-o. Mais ninguém estava no local, mas calcula-se que só uma escorregadela, após desequilíbrio, poderia ter originado tal tragédia. A linha de produção parou de imediato, mas, obviamente, já tarde de mais: depois de alguns gritos, a morte imediata.
Um bom avançado
Bernardo Francisco da Silva Gordo nasceu em Benguela, em Outubro de 1949. Teve uma infância difícil, entregue aos cuidados da mãe, mas lá foi resistindo... e chutando na velha bola de trapos, nos campos de areia e pó de Benguela.
O jeito natural deu nas vistas e não tardou a representar o FC Lobito, de onde transitou para o FC Porto, em 65/66. Passou depois pelo Tirsense e Lourosa até assentar arraiais no Sp. Braga.
Foi neste clube que mais impressionou: era um ponta-de-lança possante, com sentido prático pela baliza adversária e que, amiúde, atirava ao golo. Foi seis vezes internacional, cinco pela selecção de juniores e uma pela turma B.
Chico Gordo, que vivia na Cruz de Pau, deixa duas filhas.