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O JOGO entre uma equipa do Torino, incluindo jogadores actuais, antigos e das camadas jovens do clube, e uma selecção de jogadores a actuarem na Série A constituiu o ponto alto da homenagem que o clube piemontês e toda a Itália fizeram à equipa desaparecida há 50 anos num desastre aéreo.
Apesar do péssimo estado do relvado do Estádio Delle Alpi, a partida foi agradável e teve bons momentos de futebol, tendo terminado com uma igualdade a um golo, embora o resultado fosse o que menos interessava. Assim, o brasileiro Ronaldo (Inter Milão), o japonês Nakata (Perugia), o liberiano Weah (Milan AC) e os internacionais italianos Roberto Baggio (Inter Milão), Di Biagio (AS Roma) e Inzaghi (Juventus, o clube rival do Torino) foram as principais estrelas da formação da Série A que compareceram na homenagem ao Torino.
Os responsáveis do clube piemontês pretendem assinalar a triste efeméride com aquela que consideram ”a melhor homenagem possível”: o regresso da equipa à Série A, depois de uma ausência de três anos. Durante o dia de terça-feira, tiveram lugar várias evocações à memória dos jogadores, técnicos e dirigentes do Torino, assim como os jornalistas que acompanharam a equipa na deslocação a Lisboa, onde defrontou o Benfica, em encontro de carácter particular.
Logo de manhã, milhares de pessoas deslocaram-se à Basílica de Superga (contra a qual se despenhou o avião na tarde fatídica), onde foi celebrada uma missa solene, na qual participaram muitos familiares dos desaparecidos, como os filhos de Menti, Grezar, Ossola, Gabetto e a viúva e filho de Maroso, para além de Sandro Mazzola (o actual director-desportivo do Inter Milão, cujo pai, Valentino, era o jogador mais importante do ”Gran Toro”).
Tratou-se de uma das mais impressionantes manifestações de pesar, uma vez que foram várias as pessoas que percorreram a pé a estrada (a subir) que separa Turim da Basílica de Superga contra o muito frio, nevoeiro, vento e chuva que caía incessantemente.
Os mais idosos lembravam que, há precisamente 50 anos, as condições climatéricas eram semelhantes e foi, precisamente, a fraca visibilidade a causa principal do acidente aéreo.
Para além dos familiares dos desaparecidos, participaram na missa os actuais dirigentes do Torino, o treinador Emiliano Mondonico, o capitão Gianluigi Lentini, o presidente da Federação italiana, Luciano Nizzola, a presidente da Província de Turim, Mercedes Bresso, e alguns jogadores da última equipa do Torino campeã italiana, que triunfou na edição 1975-76 da Série A.
RUI MATOS PEREIRA