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O julgamento da Operação Malapata, em que César Boaventura está acusado de vários crimes de burla, branqueamento de capitais e fraude juntamente com outros arguidos, está na sua reta final e na sessão desta quinta-feira, a primeira desde que o empresário foi condenado por três crimes de corrupção e aliciamento de jogadores, decorreu com novo depoimento do principal arguido em tribuna.
Boaventura reiterou ter recebido de Marco de Carvalho 900 mil euros pagos "em dinheiro e carros", de forma a investir na FCC, empresa de agenciamento de jogadores, e outros negócios. O dinheiro serviria para pagamento de despesas com empregados, locais, viagens e redes de observação de jogadores e Marco de Carvalho terá ficado na expectativa de receber o retorno do investimento.
Contudo, tal não aconteceu, porque segundo Boaventura, despendeu "entre 375 mil e 400 mil euros" com o irmão e agente de Houssem Aouar, do Lyon, para formalizar uma transferência para o Bayern de Munique, em 2022, negócio que ficou pendente já que o jogador preferiu sair a custo zero dos franceses, na época seguinte. Como tal, César Boaventura iria alegadamente receber o dinheiro de volta, algo que ainda não aconteceu. Foi também evidenciado no tribunal que o empresário fez um depósito de 50 mil euros à federação alemã para consumar a transferência para os bávaros, com o dinheiro a ficar novamente embargado num negócio que iria valer, na sua totalidade e tendo em conta vários parâmetros, "15 milhões de euros".
Boaventura referiu ainda que saiu lesado do dissiê relacionado com Falaye Sacko. Segundo o empresário, a "relação de proximidade" e confiança que tinha com Marco de Carvalho permitiu que este ficasse, em conjunto com o irmão Germano, encarregue de gerir inúmeros contratos de jogadores, incluindo o maliano. César Boaventura afirmou que, neste cenário, não conseguiu lucrar com a transferência de Sacko para o Montpellier, do V. Guimarães, também em 2022.
Ficaram registados, no depoimento de Boaventura, outros negócios com Marco de Carvalho, incluindo obras na casas de Barcelos, Samora Correia e até um ginásio em nome da FCC. Tudo isto movimentou o suposto investimento em dinheiro de Marco de Carvalho.
Ainda na mesma sessão, um amigo e colega de trabalho "de mais de 20 anos" de Boaventura foi chamado a testemunhar. José Figueiredo explicou que, em fevereiro de 2016, o empresário lhe devia 236 mil euros, que foram posteriormente entregues em transferências bancárias, num total de 60 mil euros. Contudo, alguns cheques foram "devolvidos". A veracidade do depoimento foi questionada por parte dos juízes e do magistrado do Ministério Público (MP), já que José Figueiredo referiu ainda estar lesado em cerca de... 285 mil euros.
O MP requereu ainda os depoimentos de José Lima, empresário luso-canadiano com ligações a Boaventura, e Paulo Lopo, antigo presidente do Leixões e atual dirigente do E. Amadora, frisando que estes são "essenciais à acusação" e deu mesmo um prazo para serem contactados e comparecerem por via digital ou presencial. Caso tal não aconteça, o MP irá avançar por via jurídica.
Por esta razão, a próxima sessão do julgamento da Operação Malapata ficou marcada para quinta-feira, dia 20 de junho.
Por João AlbuquerqueAcompanhe todas as incidências do encontro da 2.ª Liga
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