Um estádio único para «velhos rivais»

O VELHO sonho de João Soares de ter apenas um grande estádio municipal em Lisboa para os jogos de Benfica e Sporting vai concretizar-se, coroando de êxito longas e persistentes reuniões entre os responsáveis da Câmara e dos dois grandes clubes, realizadas no máximo segredo nas últimas semanas. Nem toda a gente está de acordo e sábado o ex-presidente do Sporting, Pedro Santana Lopes, concorrente de João Soares à CML, deu os primeiros passos para criar uma frente de lisboetas dos dois clubes pela defesa do Estádio da Luz, como forma de inviabilizar a solução do actual presidente da Câmara.

O nosso jornal apurou que o novo estádio, onde será realizada a final do Euro-2004, é um projecto conjunto de arquitectos ligados aos dois clubes e vai ser erigido na zona do Lumiar, nos terrenos onde José Roquette projectara o Alvalade XXI, não havendo ainda acordo final para o nome. No entanto, uma boa fonte adiantou-nos existir uma base consensual para o nome de “Estádio Eusébio da Silva Ferreira”, apesar de os dirigentes leoninos, com o prof. Moniz Pereira à cabeça, preferirem o nome “Estádio Olímpico Carlos Lopes”, podendo realizar-se um referendo para chegar à decisão. Aliás, o conhecido “senhor Atletismo” só condescendeu com a ligação ao Benfica depois de ter sido assegurado que o novo estádio comportará uma pista de atletismo (ver maqueta) – a qual não existia no projecto Alvalade XXI.

PUB

O novo recinto terá 75 mil lugares e uma utilização multiusos com configurações diversas, consoante a importância dos jogos ou dos eventos culturais que o município lá queira realizar. Os dois clubes grandes podem, assim, resolver os seus problemas económicos, eliminando os respectivos passivos através da rentabilização imediata dos terrenos do Campo Grande e da Luz.

O antigo internacional de andebol João Gonçalves, actual colunista de Record e director do Pavilhão Atlântico, já foi sondado para o cargo de director das futuras instalações, não só pela sua experiência neste domínio, mas também por ser uma figura grada aos dois clubes, que representou enquanto jogador.

Com esta decisão, o Estádio da Luz ficará de fora do Euro-2004, mas continuará a ser utilizado pelos dois clubes até ao fim da época de 2003-2004, já que o actual Estádio de Alvalade será demolido de imediato, por causa da maior volumetria do novo projecto.

PUB

Igual a Milão

Os grandes de Lisboa decidiram-se, sexta-feira, pela adopção de um sistema praticado por alguns clubes italianos, nomeadamente Roma, Lazio, Inter e Milan – os dois primeiros utilizam o Estádio Olímpico da capital italiana e os milaneses jogam em San Siro, no Estádio Giuseppe Meazza –, visando, naturalmente, uma substantiva redução das despesas com a manutenção dos seus anfiteatros, facto que, de resto, já foi elogiado pelo presidente da autarquia alfacinha, João Soares, o qual, em declarações ao nosso jornal, garantiu que a Câmara irá apoiar “financeira e tecnicamente” a obra dos velhos rivais.

A repartição das despesas inerentes à construção do novo estádio ainda não está definida, pois desconhece-se os montantes a atribuir pela Câmara e Governo. Este já se disponibilizara a dar subvenções aos dois clubes, tendo em vista o Euro-2004. Agora, com este novo cenário, os dois clubes admitem que o Estado aumente o apoio financeiro previsto para Alvalade e Luz, tendo por base o facto de o novo estádio albergar 75 mil espectadores. Por outro lado, Manuel Vilarinho e Dias da Cunha, que almoçaram juntos na sexta-feira, já acertaram que o investimento dos clubes seja 50-50%.

PUB

Inicialmente, o Benfica não viu com bons olhos a localização do futuro complexo no Lumiar. No entanto, Vilarinho acabou por ceder à ideia do homólogo leonino. Primeiro, porque é menos dispendioso, dado tratar-se de um desenvolvimento do projecto daquele que seria o Alvalade XXI; em segundo lugar, porque permitiria aos benfiquistas vender todos os terrenos onde hoje está implantado o Complexo da Luz, o que, segundo algumas estimativas, renderia cerca de 30 milhões de contos; em terceiro, os encarnados poderão construir o seu centro de estágio em Caparide (concelho de Cascais), pagando o preço simbólico de um escudo por metro quadrado, medida proposta por José Luís Judas, presidente da autarquia cascaense, e que só carece da aprovação da Assembleia Municipal, o que deverá verificar-se, pois, de acordo com fontes partidárias contactas pelo nosso jornal, com excepção do PCP, todas elas estão receptivas à ideia do antigo dirigente da Intersindical.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Futebol Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB