Manuel Jorge de Sousa, de 40 anos, é visto no meio da arbitragem como o melhor árbitro português do ponto de vista técnico. Várias vezes 1.º do ranking nacional, como na temporada passada, o árbitro natural de Paredes não tem, porém, o estatuto internacional que teve Pedro Proença, com o qual colaborou, na condição de árbitro de baliza, no Euro'2012.
Jorge Sousa é um dos poucos juizes que não dependem da arbitragem. É um empresário de sucesso na área associada à indústria do mobiliário e ponderou muito antes de aceitar o projeto da profissionalização da arbitragem. Dois dias por semana comparece no centro de treinos que funciona no Estádio Municipal da Maia e aí passa quase todo o dia, dividido entre treinos físicos e preparação teórica.
Mas o árbitro que vive em Lordelo, no vale do Sousa, não se limita a fazer este tipo de trabalho pois prepara sempre um dossier para todos os jogos, com especial cuidado quando está em causa um jogo com grande impacto mediático.
Preparação ao detalhe
Em dezembro de 2014, Jorge Sousa, numa palestra dirigida a elementos do Núcleo de Árbitros Francisco Guerra, mostrou um pouco do seu protocolo, tendo mesmo revelado que tinha acertado o onze dos leões num Gil Vicente-Sporting que apitara poucos dias antes. "Ao irmos documentados desta maneira, dificilmente seremos surpreendidos pelo jogo”, disse.
Para o árbitro da A. F. Porto, é fundamental um juiz de campo ter a perceção de que “em casa pode mandar a mulher mas no campo os líderes somos nós, pois se formos subservientes não vamos lá”.
Segredo para apanhar as manhas
Jorge Sousa, que vai apitar domingo o Benfica-Sporting (20H45), explicou também alguns dos seus “segredos”. Por exemplo, em relação às faltas no limite da área. “Por mim é sempre para a pinta, isto é, para o penálti”, atirou em jeito de brincadeira. “Se é tão difícil, eu, que sou árbitro e estou mais preparado, a falta é para mim e o local onde é feita é normalmente para o árbitro assistente, que está muito mais bem colocado”. Porque “não posso estar a olhar para aquela porta e ver a porta, só tenho de ver a fechadura”. Por isso, o seu assistente mais próximo neste tipo de lances tem o foco “sempre nos pés dos jogadores”.
Ainda para Jorge de Sousa, senhor de uma grande capacidade de comunicação, os jogos em Portugal “ não têm grande ritmo” mas há jogos, como o caso deste que vem aí, que fogem da norma. “Esses jogos para nós quando começam não vão no 1.º minuto mas no minuto 50 ou 60, temos de estar preparados para isso”, detalhou.
Cartilha disciplinar
Para o árbitro do clássico é também muito importante desde o início “mostrar aos jogadores que as coisas pequeninas não vão ser punidas”. Em termos disciplinares, fique-se a saber que com ele também é assim: “Amarelo ou nada, nada; amarelo ou vermelho, vermelho”. E quando é o guarda-redes que faz falta, independentemente do local, “normalmente é vermelho porque mais ninguém o consegue substituir jogando a bola com as mãos”.
Jorge Sousa é ainda crítico em relação ao uso dos cartões no jeito de arma de arremesso. “Em Portugal tem-se muito a ideia de que jogo sem vermelhos ou amarelos não é jogo e infelizmente isto está a fazer história”, referiu. “Não podemos desperdiçar cartões e temos de dá-los de forma cirúrgica”, aconselhou.
CLÁSSICOS E DÉRBIS DE JORGE SOUSA