_
Numa altura em que se caminha a passos largos para arranque do Mundial'2026, João Pinheiro, único representante da arbitragem portuguesa nas Américas, admitiu que sonha apitar a final da grande competição, que irá decorrer nos Estados Unidos, México e Canadá, entre 11 de junho e 19 de julho. Depois de marcar presença nas grandes provas europeias, como aconteceu recentemente na 2.ª mão da meia-final da Champions, entre o Bayern e o PSG, o juíz de 38 anos confessa que gostava de adicionar a final do Mundial à sua lista de jogos.
"Claro que sonho ir à final. Estar no Campeonato do Mundo já é uma coisa incrível para um árbitro, apitar a final é a cereja que falta. Se tiver a possibilidade de a fazer, com certeza que é um sonho que está presente. Não posso ir para o Campeonato do Mundo a pensar que não vou fazer a final, tenho é de pensar que tenho de fazer bem o meu trabalho, depois se der a oportunidade de fazer uns ‘quartos’, umas ‘meias’, será algo que virá naturalmente. O meu objetivo antes é preparar bem o Mundial para tentar ter a oportunidade. Um jogo todos fazemos, dois temos de ganhar a oportunidade e três já vem um bocadinho como um extra, como um prémio. São 35 árbitros que vão e o nível é muito alto", reconheceu o português, em declarações à RTP.
João Pinheiro acredita também que esse sonho é o reflexo da competitividade sentida pelos que exercem o cargo. "Um árbitro tem sempre um lado competitivo. Um atleta de alta competição tem de ser competitivo, não há outra forma de se manter no topo. Estar nos melhores jogos, querer fazer as finais e os clássicos todos, por muito que nos traga problemas às vezes, é lá que queremos estar, pois é onde acontecem os melhores jogos. Quando recebes essa nomeação tem de mexer um bocadinho contigo, se não mexer, algo está mal. Tem que fazer parte da nossa ambição."
Já com um convite da FIFA para marcar presença no Campeonato do Mundo, o internacional português gostaria de prolongar a sua estadia, também em demonstração da qualidade da arbitragem portuguesa, que tem sido pouco representada nas últimas edições da competição, sendo que não houve árbitros portugueses na última edição, em 2022.
"Eu sinto que o Artur [Soares Dias] devia ter ido ao último Mundial. Não vejo falta de qualidade, eu acho que nós temos uma arbitragem de muita qualidade, temos árbitros muito bons. A Seleção também é muito curta, abriu mais agora que as seleções aumentaram, mas nós vemos alguns países de topo a não meter árbitros no Mundial, não é fácil lá estar. Às vezes é um momento de sorte, é uma questão de estar no sítio certo à hora certa. Eu acho que o Artur tinha mais do que condições de ir ao Mundial do Catar, merecia lá estar. Mas na altura não foi e às vezes são coisas que não conseguimos explicar e são difíceis de entender, mas não é falta de qualidade de certeza", atirou.
Em relação às hipóteses da Seleção Nacional levantar o troféu, João Pinheiro deixa os votos de confiança à equipa das quinas: "Não tenho a mínima dúvida, só quem não vê futebol, é que não acha isso. Não posso dizer que é a favorita, mas que estamos no top 5 de favoritos... não tenho a mínima dúvida. Estou a torcer para sermos campeões."
Por Camila Soeiro