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O árbitro de futebol Luís Godinho apontou esta quarta-feira que o sistema de videoarbitragem tem de ser "obrigatoriamente" melhorado, além de um trabalho regulamentar com vista ao desenvolvimento do produto em Portugal.
"A videoarbitragem tem obrigatoriamente de ser melhorada e trabalhada para que o impacto no jogo e o produto em si seja melhorado, em termos de tempo perdido. Todos queremos que, se algum erro acontecer, a videoarbitragem corrija. Quando o sistema chegou a Portugal, houve a perceção que ia deixar de acontecer erros de arbitragem. Isso nunca acontecerá, há sempre várias opiniões", frisou o árbitro.
Num painel moderado pelo ex-árbitro Artur Soares Dias, durante uma conferência que junta os mundos desportivo e empresarial, Luís Godinho abordou também a possibilidade do país adotar um sistema mais eficiente na análise do fora de jogo.
"Há sistemas mais rápidos e é isso que queremos. Com um jogo parado por vários minutos, 60 mil à espera e não podemos dizer mais do que 'esperem'... Temos de dar todos estes passos na procura de mais e melhor tecnologia, para nos podermos salvaguardar. O erro de arbitragem tem de ser diminuído ao mínimo, para ter cada vez menos impacto", expressou Luís Godinho, da Associação de Futebol de Évora.
O árbitro ilustrou um exemplo concreto pessoal, que remonta à época 2020/21, na qual Luis Díaz, na altura do FC Porto, rematou a bola e, ao colocar o pé no chão, partiu a perna a David Carmo, do Sporting de Braga, e recebeu ordem de expulsão.
"Em 100 anos de arbitragem, ninguém tinha visto um lance destes. Nessa altura, tentei justificar a minha decisão ao 'staff' do FC Porto, numa situação para a qual nem eu estava preparado. Essa decisão valeu seis meses com polícia à porta. As decisões dos árbitros extravasam o campo. Era uma decisão de '50/50', onde cada pessoa tinha uma opinião diferente. Tive de tomar uma decisão naquele momento e as consequências pessoais foram muito graves", vincou o árbitro internacional.
Luís Godinho apelou à mentalidade e à regulamentação do futebol português, para melhorar a forma como se vê e 'vende' o produto, em comparação com o futebol inglês, e sublinhou que não serão apenas os árbitros que têm de melhorar.
"Os árbitros ingleses erram tanto ou mais do que nós. A diferença é como se vê o produto. Inglaterra vê-se como um produto de alto nível e isso tem impacto na forma como as pessoas olham para o seu futebol. Eu tenho responsabilidades, tento ser melhor e errar menos, mas não sou só eu. É uma questão de mentalidade e de trabalhar as regulamentações, para que o produto seja melhorado", assumiu.
Ex-árbitro marcou presença na conferência ION
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