Carlos Valente recorda FC Porto-Benfica de 90/91: «Nunca deixei que me pressionassem»

Ex-juiz conta que lhe tentaram dificultar a vida desde a véspera desse clássico

César Brito marcou dois golos e festejou com Rui Águas
• Foto: DR Record

Carlos Valente era considerado um dos melhores árbitros nacionais e por essa razão foi nomeado para dirigir um dos mais importantes encontros entre FC Porto e Benfica no Estádio das Antas. Com a vitória a valer dois pontos e a apenas cinco jornadas do final, os encarnados deslocavam-se ao Porto com um ponto de vantagem sobre os dragões, que se encontravam extremamente moralizados pela vitória em Alvalade (0-2) na jornada anterior. Uma vitória do Benfica, conforme veio a acontecer com dois golos de César Brito, decidiam praticamente a questão do título a favor dos encarnados. Hoje, quase 30 anos depois, o juiz de Setúbal lembra essa jornada, evitando alongar-se sobre episódios que considerou nefastos para, como refere, "promover o futebol".

"Tratou-se de uma partida complicada, principalmente pelo ambiente fora das quatro linhas. Um ambiente criado por alguém que queria dificultar a vida ao árbitro. Senti-o ainda na véspera, quando cheguei ao Porto", lembra Carlos Valente sem pormenorizar. "São coisas que não contribuem para a pacificação, mas nunca deixei que me pressionassem e o que é preciso é fomentar o futebol e o próximo clássico", observa.

Quanto ao clássico em si, Carlos Valente, de 70 anos, recorda não ter "cometido erros de monta", adiantando que "se isso aconteceu, não tiveram qualquer interferência" no resultado.

Tranquilo

Em termos de preparação, Valente não tinha receita especial para os clássicos. "Nunca me entreguei mais a um jogo do que a outro. Queria estar sempre o mais tranquilo possível e, de uma forma geral, isso acontecia", conclui.

A autoridade de Veiga Trigo

Calmo e autoritário. Assim se explica quem foi Veiga Trigo enquanto árbitro. Com dois clássicos apitados no Dragão, na Liga, o homem natural de Beja, hoje com 65 anos, não esquece os duelos nas Antas. "Num jogo tive de chamar Mozer e Fernando Couto, porque andavam picados. Um minuto depois, o Couto deu um murro no Mozer e tive de o expulsar", recorda, fazendo um balanço positivo: "Nunca houve casos. Apitei tantos clássicos e nunca tive problemas."

Por João Pedro Abecasis e Pedro Gonçalo Pinto
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