Jorge Coroado: «Dinheiro não dará competência a quem a não tem»
"Só revela o estado em que está o futebol, onde os estádios estão às moscas...
A profissionalização da arbitragem nos moldes revelados esta sexta-feira não faz sentido, defende o antigo árbitro internacional Jorge Coroado que, entre várias críticas, salienta que "o dinheiro dá relevo e é capaz de dar alguma simpatia, mas não dará uma certa competência a quem não a tem".
"Dos nomes apresentados, há uns com mais capacidade e, reconhecidamente, com mais valor do que outros", começou por dizer Coroado em declarações à CM TV, justificando depois a sua posição:
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"Num edifício estruturalmente deficiente, desequilibrado e até deficitário como é o do futebol, estar-se a encontrar um nicho que vai onerar ainda mais esse edifício, só revela a falta de noção e o estado em que está o futebol em Portugal, onde os estádios estão às moscas e os clubes se queixam de falta de receitas."
"E eu pergunto como é possível aumentar um pouco mais a fatura da arbitragem, sobretudo nas condições em que estão a ser anunciadas, com árbitros profissionais em oito dias para treinar por mês e mais oito dias pelos jogos que arbitram", reforçou o comentador da CM TV, deixando uma sugestão face ao que poderá ser o valor do salário de um árbitro profissional:
"Para mim teria razão de ser caso se abrisse a captação da arbitragem a jogadores profissionais de futebol em final de carreira. Há jogadores da primeira categoria que não ganham estes valores."
Mas é indiscutível, o dinheiro dá relevo e capaz de de dar simpatia, mas não dará uma certa competência a quem não a tem.