Jorge Sousa: «Sentimento de dever cumprido, sinto que prestigiei a arbitragem portuguesa»

Árbitro terminou este sábado, no encontro entre Sp. Braga e FC Porto, a sua carreira

• Foto: Peter Spark / Movephoto

Jorge Sousa surgiu, no final do encontro entre Sp. Braga e FC Porto, algo fora daquela que será, a partir deste sábado, a sua nova realidade. O árbitro, de 45 anos, da Associação de árbitros do Porto, colocou um ponto final na carreira, uma decisão que disse ter sido tomada "de forma ponderada".

"Estamos tão focados que o apito final parece simplesmente o final de mais um jogo. Estou aqui [na flash-interview] numa situação inédita, pareço um treinador, um jogador, só me falta aqui o prémio de melhor da partida. Chegámos a um ponto que abstemo-nos de tudo, só o facto de estar aqui é que me faz ver que há algo de anormal relativamente ao meu futuro", começou por dizer o árbitro.

Decisão de deixar a arbitragem

"As coisas são feitas de forma ponderada, não foi feita de ânimo leve. Olho para aquilo que são as competências e valências de um árbitro, eu acredito que em 80 ou 90% delas estou na plenitude delas, mas que noutras não e há que saber assumir isso. É o momento certo para abandonar. Acabo a temporada com a convicção de que fiz uma boa época. Já amanhã começa a nova época e eu sinto que as forças não são as mesmas e se eu sinto que não posso oferecer aquilo que devo na próxima época, tenho de saber dizê-lo. Sentimento de dever cumprido. Acho que prestigiei a arbitragem portuguesa. Estou feliz pela minha decisão."

Ocupar outros cargos no futebol, nomeadamente na arbitragem

"Nunca pensei nisso. Sempre pensei naquilo que é a minha profissão, o meu foco sempre foi ser árbitro de futebol. Nunca fui pessoa de pensar em algo que só acontecerá amanhã. O futuro, logo-se vê. Se me pergunta que gostaria de continuar ligado? Ninguém consegue desligar a ficha e amanhã, só porque já não sou árbitro, dizer que acabou."

Diferenças entre o início da carreira com o estado atual da arbitragem

"Essa pergunta é boa. Quando cheguei à 1.ª categoria, era completamente diferente. Há 20 anos atrás a internet e redes sociais ninguém sabia o que isso era, os departamentos de comunicação não existiam. Agora existe um 'Juízo Final' e por vezes estamos a passar de forma errada aquilo ao espectador ferramentas que um árbitro não consegue ter à sua mão durante um jogo. Às vezes tenho familiares que dizem: como é que é possível não verem aquilo? Na televisão parece fácil."

Um título para o seu último jogo

"Se fosse hoje dado um título, tendo em vista àquilo que foi o jogo de hoje, seria 'ponto final'", finalizou.

Por Sérgio Magalhães
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