Do «baptismo» por Pelé à surpresa de Humberto Coelho na selecção

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O futebol e Humberto Coelho sempre estiveram de mãos dadas, desde tenra idade, quando deu os primeiros pontapés no Arsenal do Bessa, altura em que trocou a linha avançada pela defesa. Como a família se mudou para Ramalde, o jovem Humberto prosseguiu a paixão nos juvenis do clube local, o Ramaldense, mas não demorou muito a chamar a atenção dos clubes grandes. O Benfica chegou depois do FC Porto, mas concordou em pagar o preço elevado que era pedido e levou-o para os juniores, onde aprendeu com Ângelo.

A 8 de Agosto de 1968 estreou-se nos seniores, ante o Remo FC, de Belém do Pará, Brasil. O Benfica realizava uma digressão pela América do Sul e Otto Glória resolveu apostar no jovem campeão nacional de juniores. O Santos surgiu por duas vezes na preparação dos encarnados e, no segundo jogo, Pelé ofereceu-lhe a camisola. Foi o baptismo de fogo para o sucessor de Félix e Germano.

Com naturalidade, impôs-se imediatamente no onze titular e a sua estrela começou a brilhar na Luz. A selecção não tardou: estreia a 27/10/68, com a Roménia (3-0). Em 1975, no expoente da carreira, ruma ao PSG, apesar da contestação dos adeptos e do técnico Pavic, desagradados pela venda da estrela. Chega a defrontar e vencer o Benfica num particular mas a aventura francesa não compensou e, dois anos volvidos, estava de volta a casa, assumindo-se como o grande capitão da nau encarnada. O Mundo reconheceu o seu valor em 1982, quando se juntou a Zoff, Beckenbauer, Rossi, Krol, Keegan e outros para representar a selecção da Europa num jogo em Nova Iorque, cujas receitas revertiam a favor da UNICEF. Coube-lhe erguer a taça da vitória e correu à volta do relvado, orgulhoso, com um batalhão de estrelas atrás.

Em Setembro de 1983, às portas de bater o recorde de internacionalizações de Eusébio, lesiona-se gravemente no joelho direito, num treino da selecção, e, soube-o mais tarde, foi o momento que ditou o final da carreira, aos 33 anos. Não viveu a saga dos Patrícios no França 84. Tentou a vida de treinador, mas não foi feliz no Salgueiros e Sp. Braga.

Avançou então para um projecto inovador de escolas de futebol, depressa imitado a larga escala, e dedicou-se a várias actividades: o golfe, o principal passatempo, a vida política, através do PSD e a televisão, como comentador. A 18 de Dezembro de 1997 é oficialmente apresentado como seleccionador nacional, um cargo que assume debaixo de alguma contestação.

A estreia foi péssima, com derrota, por 3-0, em Wembley, mas a campanha para o Europeu 2000 calou os detractores.

CÉSAR DE OLIVEIRA

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