Emanuel Medeiros apresenta SIGA Europe aplicada em alavancar "integridade no desporto"

Objetivos estratégicos e prioridades foram expostos

• Foto: Paulo Calado

A Sport Integrity Global Alliance (SIGA) Europe foi criada há um mês, tem sede em Portugal e é liderada por Emanuel Medeiros, que apresentou esta quinta-feira, no Porto, os objetivos estratégicos, prioridades e plano de ação, que passam sobretudo por promover diversas ações que permitam alavancar "a integridade no desporto".

"Vamos procurar agregar, mobilizar e convencer as organizações desportivas a demonstrarem a liderança que está ao seu alcance. E essa liderança demonstra-se com a permanente implementação das melhores práticas, adotando os standards universais da SIGA, em matéria de boa governança, de integridade financeira, de apostas desportivas e proteção de menores. São quatro eixos fundamentais para a valorização, a salvaguarda e o desenvolvimento sustentado do desporto, para justificar a confiança, o investimento e a paixão que os adeptos, os investidores e, no fundo, o interesse público deposita no desporto. Isso faz-se com ações e resultados", afirmou Emanuel Medeiros.

Posto isto, lança o convite, em jeito de desafio a todos as entidades desportivas, para "aderirem ao sistema de rating independente e demonstrem que as organizações estão devidamente apetrechadas e cumprem com esses desígnios fundamentais numa economia aberta, que reclama integridade". Isto para concluir que "a boa reputação é rainha em qualquer domínio".

A SIGA, refira-se, tem sede geral em Genebra, na Suíça, e nasceu, enquanto visão, há cinco anos. Estruturou-se como entidade jurídica em janeiro de 2017. A versão europeia, agora apresentada, está sedeada em Lisboa e foi criada um ano após a norte-americana, em Washington. Em 2022 o organismo pretende estar a operar em todos os continentes, sendo que na América do Sul ficará sediada no Brasil. Os objetivos são comuns a todas, não estão contra ninguém e são sempre pela integridade no desporto.

"É uma missão global que desempenhamos com independência, neutralidade, sem interesses de nenhum grupo, "stakeholders" de nenhuma conveniência", acrescenta Emanuel Medeiros, para falar depois das preocupações relacionadas com os efeitos da pandemia da Covid-19 no desporto em geral e no futebol em particular.

"Nesse âmbito, a UEFA anunciou esta semana que, para o futebol europeu, isso representou um rombo de 8,7 mil milhões de euros. Cada clube sentiu isto na carne, em perdas de receitas de bilheteira, patrocínios, transmissões televisivas, de renegociações que tiveram de ser feitas, de perturbação na estabilidade das competições, em todos os fluxos financeiros normais e decorrentes de uma atividade que necessita de receitas para continuar a alimentar toda a sua necessidade de financiamento, que é permanente e premente. É um rombo muito grande. Para além disso, há ainda as questões da saúde mental ao qual o futebol não escapou", notou Emanuel Medeiros, apontando, por fim, os caminhos a seguir e os que se devem evitar para retomar o trilho da estabilidade.

Num período que nós esperávamos que o desporto pudesse desempenhar um papel de alavanca, motor, dinamizador de uma retoma económica em prol da sociedade europeia e mundial, nós esperávamos atitudes adultas, maduras, responsáveis por parte de todos os dirigentes desportivos. Foi por isso uma grande deceção e frustração ver que um punhado de dirigentes mais preocupados em satisfazer a sua ganância, procuraram seguir uma via de rotura, desafiando a UEFA, o futebol europeu, o modelo sustentado de desenvolvimento do futebol europeu, responsável por décadas e décadas de sucesso, tivessem procurado seguir, através dessa famigerada Superliga Europeia, um rumo de rotura. Este não é um tempo para roturas nem para individualismos, é um tempo para que cada um esteja ao nível da exigência que toda a indústria reclama e necessita", posicionou-se.

E concluiu de seguida assim: "Não se pense que este colapso, este projecto divisionista da Superliga Europa representa a solução milagrosa. Isto implica olhar para dentro e adotar as reformas que há muito estão em cima da mesa, a reforma da integridade financeira, zelando para que o sistema de transferências de jogadores possa ser feito com total transparência e não com suspeitas de opacidade, não com acção e influência de fundos de investimento opacos e obscuros, sediados em paraísos fiscais, à margem do escrutínio e da lei para que o desporto possa ser governado e gerido como é jogado: às claras. Sem camuflagens e sem corrupção. É isso que é importante fazer."

Por Nuno Barbosa
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