Euro-2004: Acelerar modernização

IMPACTE ECONÓMICO E FINANCEIRO DA ORGANIZAÇÃO DO EVENTO

A COMISSÃO Executiva da candidatura portuguesa já contratara uma empresa de auditoria, Impostos e Consultoria -- a BDO, Binder & Co. -- para efectuar um estudo sobre o impacto económico e financeiro que a organização do Euro-2004 terá no nosso país. Com efeito, este grande evento terá implicações que extravasam largamente o plano desportivo e atingem outras áreas importantes para o desenvolvimento do país, que têm a ver com as redes de comunicação, as infra-estruturas turísticas e a modernização das infra-estruturas hospitalares.

Segundo o estudo daquela empresa, há que ter em conta dois tipos de repercussões, as directas e indirectas. As directas decorrem do investimento a efectuar na renovação e construção dos estádios, cujo orçamento previsto ronda os 60 milhões de contos, dos quais 25 por cento (15 milhões) serão assegurados pelo Governo. As indirectas reflectir-se-ão a vários níveis: melhoria das condições de conforto e segurança dos estádios portugueses; na recuperação dos níveis de assistência perdidos na última década; na divulgação da imagem do País no estrangeiro; no acréscimo do fluxo turístico; na actividade da construção civil; no aumento do emprego e das receitas fiscais. Aliás, bastou o anúncio da decisão da UEFA para que as acções das empresas de construção cotadas na Bolsa de Lisboa tivessem disparado.

Mas o sector que mais beneficiará com a realização do Euro-2004 será o do turismo. O estudo prevê que aquele evento fará entrar em Portugal, no Verão de 2004, 350 mil estrangeiros só para assistir aos jogos, o que implicará um acréscimo no consumo na ordem dos 28 milhões de contos e, ainda, a criação de um volume de emprego directo estimado em 1400 postos de trabalho.

LISBOA

Na capital, a realização do Euro-2004 vai, sobretudo, acelerar o processo de modernização das infra-estruturas desportivas, nomeadamente no que diz respeito aos estádios do Sporting e Benfica. De resto, a Expo-98 obrigou, desde logo, a um esforço significativo no melhoramento da acessibilidade e no aumento da oferta turística. Exemplo disso, foram as obras de ampliação no aeroporto da Portela, as extensões da CREL e da CRIL, para além da construção de novas unidades hoteleiras. Neste aspecto, está prevista ainda a edificação, apenas no Parque das Nações, de dois novos hotéis. Em termos de rede viária, as atenções voltam-se agora para a conclusão da auto-estrada entre Lisboa e Faro. Mais complicadas apresentam-se as obras na rede ferroviária, podendo o Euro-2004 dar um importante "empurrão", principalmente nos trabalhos da Linha do Norte.

PORTO

Quando chegarmos a 2004, o Porto terá já um "know-how" significativo em termos de organização de grandes eventos. Depois de ter acolhido a Cimeira Ibero-Americana, a Invicta será, em 2001, Capital Europeia da Cultura. Dois momentos que dotarão a cidade dos equipamentos fundamentais, deixando-a preparada para acolher o Europeu muito antes do tempo, como já frisou o presidente da autarquia portuense, Fernando Gomes. O principal investimento, nos próximos anos, será na acessibilidade. Para além das citadas obras na rede viária e ferroviária, as quais, provavelmente, trarão diminutos benefícios nas ligações com Espanha, o Governo prevê gastar perto de 25 milhões de contos no aeroporto de Pedras Rubras, permitindo duplicar a sua capacidade actual. As questões relacionadas com a oferta turística e com os apoios de saúde e segurança, por seu turno, serão levantadas já daqui a dois anos, o que traduz uma vantagem para os organizadores do Euro-2004.

BRAGA

Aumentar a capacidade do parque hoteleiro da região é uma das principais preocupações. Actualmente Braga disponibiliza 1200 camas, mas até 2004 está previsto o surgimento de mais cinco unidades. Três de raiz -- a construir na Falperra, serra do Picoto e no Parque Norte da cidade, local onde será edificado o novo estádio -- e dois remodelados, ambos no Bom Jesus. Um deles será de cinco estrelas, cumprindo, assim, uma das exigências da UEFA. A prioridade centra-se, contudo, nos acessos, dada a proximidade com os aeroportos do Porto e de Vigo. A edilidade tinha já acordado com o IPPAR um financiamento na ordem dos dez milhões de contos para o melhoramento da rede viária e o Euro-2004 poderá contribuir para acelerar os projectos. Em causa está não só a construção de uma via rápida entre Braga e Guimarães como também as ligações com o Litoral, Chaves e Espanha.

GUIMARÃES

O concelho irá beneficiar, tal como o "vizinho" Braga, da construção da via rápida entre as duas cidades, cujo arranque estava previsto para 2001, mas que, com a atribuição a Portugal do Euro-2004, poderá ser antecipado, melhorando, por acréscimo, as ligações com o Litoral e com Espanha. O défice em termos de parque hoteleiro é aqui também notório, nomeadamente para acolher selecções, uma vez que as unidades existentes não dispõem de espaços relvados. Está prevista, portanto, a construção de mais duas estruturas, para além da remodelação das actuais. As restantes carências são também facilmente identificadas e dizem respeito ao aumento da oferta de restaurantes e de parques de estacionamento, existindo vários projectos "parados" na autarquia. Mais uma vez a proximidade entre Braga e Guimarães poderá promover apoios mútuos, minimizando os problemas dos dois concelhos.

AVEIRO

A construção do novo estádio arrastará consigo uma série de outros projectos. O investimento estimado em seis milhões de contos para a edificação do novo equipamento desportivo é apenas uma parcela daquilo que a autarquia se propõe realizar. Denominado por Parque Desportivo de Azurva, este complexo, para o qual se pretende atrair investidores privados, integra o lazer, o convívio com a natureza e o desporto. Com capacidade para 40 mil lugares, o novo estádio terá fáceis acessos ao IP5 e, naturalmente, à auto-estrada do Norte, bem como ao futuro IC1. O montante global dos investimentos ronda os 10 milhões de contos. A construção de um centro de estágio é outro objectivo, instalado ao lado de um hotel de quatro estrelas. Em relação ao parque hoteleiro, prevê-se a remodelação de algumas estruturas já existentes e a construção de, pelo menos, mais duas unidades.

COIMBRA

A cidade acolhe anualmente milhares de turistas e, juntamente com a zona periférica que engloba o Luso, Buçaco, Curia e Figueira da Foz, dispõe actualmente de 1848 camas. A organização do Europeu implica, porém, o aumento da capacidade de oferta, estando já prevista a construção de um hotel de cinco estrelas (a grande carência da região), através, todavia, da iniciativa privada. A Câmara possui também vários projectos em carteira, principalmente a aplicar na melhoria dos acessos. A construção da Ponte Europa, a circular externa e o desenvolvimento do sistema de transportes públicos, com ligação ao metropolitano ligeiro de superfície, são disso exemplo. A área dos apoios de saúde é a que apresenta menos encargos, dado existirem em Coimbra quatro hospitais e duas maternidades.

LEIRIA

Tal como na maioria das regiões, excepção feita a Lisboa, Porto e Algarve, a grande carência reside na oferta turística. A eleição de Portugal como país organizador do Euro-2004 implicará a construção de quatro novos hotéis, todos de quatro estrelas. Esta lacuna será ainda relativizada com a proximidade com Fátima, que já dispõe de uma adequada capacidade de oferta hoteleira. Aumentar a rede de estradas, criando ligações à futura A8 e à A1, fornecer condições de segurança e melhorar as telecomunicações e os cuidados médicos. Em relação a este último aspecto estão previstas obras no hospital de Santo André. Alguns destes projectos, refira-se, já estavam previstos, mas o Euro-2004 poderá conferir um decisivo incentivo

ALGARVE

A região ficará dotada, até 2004, de um vasto conjunto de acessibilidades, quase todas já programas, independentemente da atribuição a Portugal da organização do Europeu, mas que terão agora de estar mesmo prontas até àquela data. A conclusão da auto-estrada entre Lisboa e Faro e da Via do Infante são essenciais para o projecto. O futuro estádio intermunicipal vai ser construído em S. João da Venda, num local privilegiado, a curta distância da Via do Infante e a poucos minutos do aeroporto e dos principais hotéis do concelho de Loulé. Estão ainda programadas melhorias na rede ferroviária entre Lisboa e Faro e decorrem contactos com vista à ligação entre Faro e a cidade espanhola de Huelva. No que concerne à oferta turística, o Algarve está, desde já, em condições de dar uma resposta positiva, não sendo necessários investimentos de vulto.

AURÉLIO DE MACEDO e JOÃO CARTAXANA, com ALEXANDRA GOMES, ARMANDO ALVES, CARLOS OLIVEIRA, CARLOS A. MENDES, MARCO AURÉLIO E VIRGÍLIO CADETE

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