Governo Regional ajuda ascensão do Santa Clara

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UM ANTIGO faquir, que nos seus tempos artísticos dava pelo nome de Paulo Pavão, é agora o presidente do Santa Clara, um respeitado optometrista açoriano de 40 anos que amanhã espera celebrar a maior proeza da história de 75 anos deste clube de Ponta Delgada. Paulino Pavão, o referido presidente, assumiu a liderança dos santa-clarenses há um ano atrás com a mesma coragem e decisão com que um faquir parte para as suas demonstrações arriscadas. Mas também com o olhar apurado de um empresário de sucesso, proprietário de três ópticas, em Ponta Delgada e Vila Franca, que sabe o quanto pode ser importante para a região a subida do clube à I Divisão.

É das ideias e projectos deste homem que trata esta conversa. Ontem de manhã, na sede do clube, e enquanto a secretaria não tinha descanso com o afluxo de pessoas à procura de bilhetes (já estavam vendidos 15 mil sexta-feira de manhã...), Paulino Pavão fez o retrato do momento especial que vive o Santa Clara.

DINHEIRO SEM RETORNO

-- Como foi possível ao clube chegar a esta situação, absolutamente inesperada, de estar prestes a subir à I Divisão?

-- Com trabalho, disciplina e muita humildade. Quando as pessoas se dedicam com humildade, ultrapassam sempre aquilo que tinham previsto. O Santa Clara não vai perder a sua identidade de clube de bairro, mas vai ser o mais representativo da região. O futebol é um veículo promocional de grande projecção. Se subirmos à I Divisão, todos os cidadãos portugueses vão ter um conhecimento melhor da nossa realidade desportiva, social e cultural.

-- Os Açores nunca tiveram uma equipa na I Divisão. O que mudou para que isso agora seja possível?

-- Temos um Governo Regional com vistas largas, que criou condições e incentivos para o desporto. O Santa Clara agarrou essas condições. Somos criticados brutalmente pelo Lusitânia, que seguiu uma política de mediocridade, defendendo que o clube só devia ter jogadores açorianos, mas não é possível ter aspirações sem um profissionalismo total.

-- Eles queixam-se do montante dos subsídios atribuídos ao Santa Clara...

-- Os apoios que nos são dados actualmente são dados à região. O Governo está a investir na região, esse dinheiro tem retorno.

-- Quanto custou esta provável subida de divisão?

-- Os números são o menos importante. Devemos perguntar-nos o que é que a região beneficia com isto. A I Divisão vai ser boa para todos, e até pode aumentar o número de empregos.

-- O Santa Clara poderá tornar-se para os Açores o que o Marítimo é para a Madeira?

-- Não gosto de fazer comparações, mas a Madeira é muito conhecida por ter uma equipa na I Divisão. Os Açores também têm vistas bonitas, podem ser tão conhecidos como a Madeira.

-- Há uma euforia enorme em toda a ilha. O que sucederá se no domingo o Santa Clara não subir?

-- Temos de pensar nas hipóteses todas, temos de ter consciência da realidade do futebol. Se não subirmos este ano, o futebol não acaba agora.

-- É presidente há um ano. Que projectos tem?

-- Até posso acabar o meu mandato este ano. Se não houver apoios suficientes da região, para podermos continuar a dignificar os Açores, não sei se continuarei, e falarei nisso em assembleia.

JOAQUIM SEMEANO

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