Jovem ucraniano Artem joga nos benjamins do Caldas e sonha marcar um golo pela seleção
"Quando começar a perceber português, vai ser mais fácil", sublinha o menino que conta sempre com a adepta mais especial, a mãe, nas bancadas durante os treinos.
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Artem fala muito pouco inglês e apenas vai começar a ter aulas de português nas próximas semanas -, mas, nem por isso, a integração tem sido mais difícil, até porque, dentro de campo, a linguagem é "universal".
"Quando começar a perceber português, vai ser mais fácil", sublinha o menino que conta sempre com a adepta mais especial, a mãe, nas bancadas durante os treinos.
Apesar de querer voltar a representar as cores do clube de sempre, o Caldas, assume, já tem um lugar especial no seu coração. "É muito habilidoso e, apesar da dificuldade de comunicação, consegue perceber muito bem os exercícios", destaca o treinador da equipa, revelando que já o pode integrar nas convocatórias para partidas oficiais.
Para Marco Conchinha, tem sido um desafio acolher o menino, evidenciando que o Caldas é um clube onde cabem todos os Artem e todos os pequenos futebolistas a quem lhes seja retirada a possibilidade de jogarem futebol.
"Infelizmente, este caso não é único, e há muito outros atletas, até no nosso país, que também precisam de ser ajudados", ressalva o técnico, acrescentando que o clube tem adotado, ao longo dos anos, uma postura solidária e de entreajuda no desporto.
No novo 'lar' é também no futebol que o 'mini-Messi', que curiosamente tem mais habilidade com o pé direito, se refugia para se distrair das razões que o levaram a sair do país de origem.
"Passa o dia todo a querer jogar futebol no jardim e, regularmente, é a moeda de troca que utilizamos para que ajude nas tarefas domésticas", brinca Isabel Mateus, contando um episódio que deixou o menino deliciado.
Ciente da admiração por Lionel Messi, a responsável pelo acolhimento, juntamente com o marido, encomendou uma camisola do argentino, quando este ainda alinhava pelo FC Barcelona. "Quando lhe demos, ficou impávido e abraçou-nos de imediato", revela, destacando o "brilho" nos olhos do pequeno futebolista ao abrir o presente.
A história desta família, cujo apelido preferem manter no anonimato por medo de retaliações, é semelhante à de tantas outras famílias ucranianas durante os últimos dois meses. Em março, o ucraniano teve de abandonar a cidade de Jitomir com a mãe, Oksana, e o irmão Sergei, de 17 anos, deixando para trás o irmão mais velho e o pai 'de coração', que se juntaram às forças militares.
Questionado sobre o que considerou ter sido mais difícil deixar no país, a resposta do pequeno ucraniano foi, no mínimo, curiosa: "o cão e o gato".
Isto porque o Caldas lhe conferiu, em certa medida, a possibilidade de voltar a ser feliz em tempos tão conturbados: com uma bola nos pés e a fazer golos.