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Judiciária já identificou autor dos telefonemas do «caso-Palatsi»

ALICIAMENTO AO GUARDA-REDES DO BEIRA MAR COM NOVOS DESENVOLVIMENTOS

A POLÍCIA Judiciária já identificou o presumível autor dos telefonemas -- e não da carta, como chegou a ser noticiado -- das alegadas tentativas de aliciamento a Palatsi, guarda-redes do Beira Mar. Trata-se de um empresário da construção civil, com ligações a um clube abaixo do Mondego e que em breve deverá ser notificado para prestar declarações. O eventual corruptor nunca se identificou nas conversas que manteve com o guardião francês, mas a PJ, segundo apurámos, já tem um suspeito.

O caso foi tornado público na passada quarta-feira, mas desde Julho que era do conhecimento da Polícia Judiciária. Foi, aliás, com base numa carta anónima, onde são relatadas movimentações de dirigentes de alguns clubes no sentido de fixar os resultados das últimas jornadas do campeonato da época passada, que iniciou o processo de inquérito, tendo, então, requerido à Liga uma lista com informações sobre dirigentes e jogadores, nomeadamente do Alverca e do Salgueiros. Um rol de nomes que só quinta-feira chegou às mãos dos agentes da Polícia Judiciária.

No mesmo contexto, foram ouvidos, como já referimos, Nelo Vingada e António Simões. A notificação aos treinadores do Marítimo esteve relacionada com o jogo com o Alverca e não com o Beira Mar, como no início se pressupôs. As investigações prosseguem, embora as entidades policiais se queixem das constantes fugas de informação, consideradas prejudiciais para o desenrolar do processo.

MOLDURA DISCIPLINAR

Entretanto, na Liga ninguém pretende avançar com cenários. A notícia deixou todos surpreendidos, uma vez que os ofícios eram todos confidenciais, e as declarações de Mano Nunes, presidente do Beira Mar, foram, inclusive, consideradas precipitadas. O líder aveirense afirmou quinta-feira que, caso se confirme que a equipa foi despromovida por factores extradesportivos, irá exigir uma avultada indemnização. No entanto, as consequências desportivas são, neste momento, difusas, dado não existir um enquadramento legal objectivo. Não se trata de um caso de corrupção clássica, pois ainda não são conhecidos os corruptores ou corruptor, nem, mesmo, se existem clubes envolvidos. Portanto, só quando as partes estiverem identificadas é que se podem estabelecer cenários e aplicar os regulamentos disciplinares.

VALENTIM QUER CLAREZA

O presidente da Liga vai pedir uma audiência ao procurador-geral da República, com o objectivo de trazer a público todos os casos de possível corrupção no futebol já investigados e quais as suas conclusões. Segundo Valentim Loureiro, em declarações à Rádio Renascença, o futebol está a ser maltratado e a suspeição tem de acabar.

"Há uns anos atrás, não muitos, houve declarações por parte do senhor procurador-geral da República, dizendo que havia casos em investigação relativamente ao futebol. Vou-lhe pedir uma audiência para saber se houve casos, quais foram, quais as decisões e em que pé estão esses casos, porque o futebol não pode continuar a viver nesta situação de suspeição. Se há casos que se esclareçam. O futebol tem direito a saber", afirmou.

SUSPEIÇÕES NO FUTEBOL PORTUGUÊS

Agosto de 1988:

Fernando Costa, presidente do Famalicão, suborna António Veiga, ex-dirigente do Macedo de Cavaleiros. O clube famalicense sobe à I Divisão, mas é imediatamente despromovido pela descoberta do sucedido. Em virtude deste caso o Fafe sobe à I Divisão.

Novembro de 1990:

O primeiro caso de suposta corrupção do futebol nacional e que fica para a história com a designação de "Penafielgate". A polémica surge quando Francisco Silva é substituído por Fortunato Azevedo no jogo Penafiel-Belenenses, e vem a público uma conversa entre o presidente penafidelense, Manuel Rocha, e o juiz algarvio, que visava um favorecimento por parte do último ao clube nortenho. Francisco Silva é irradiado dos campos de futebol pelo Conselho de Disciplina da FPF e mais tarde pelo Conselho de Justiça, mas não sofre qualquer punição nos tribunais civis.

Junho de 1993:

O árbitro José Guímaro e o ex-presidente do Leça, Manuel Rodrigues, são os principais envolvidos do único caso de corrupção provado nos tribunais civis em Portugal. No jogo Leça-Académico Viseu, que dita a subida do Leça à Divisão de Honra, é provada a conivência de Guímaro para com os leceiros.

O suborno de Manuel Rodrigues ao árbitro conimbricense é provado, mas o facto de corruptor e corrompido não terem antecedentes criminais, faz com que o Supremo Tribunal de Justiça suspenda as suas penas. Devido a este caso o Leça desce de divisão em 98/99, ocupando o seu lugar o D. Chaves.

Novembro de 1994:

O jogo termina com uma derrota do Leixões por 1-0 ante o Amarante, mas o presidente leixonense, Ramiro Correia, não se livra de uma acusação de tentativa de aliciamento ao árbitro Vítor Miranda. A razão prende-se com o facto de Ramiro Correia almoçar com o juiz da partida em questão no dia do próprio jogo.

Abril de 1996:

Mano Nunes, chefe departamento de futebol do Beira Mar, acusa dirigentes do Nacional da Madeira de uma alegada tentativa de corrupção a jogadores aveirenses. O eventual "prémio" de aliciamento feito aos atletas do Beira Mar teria sido de 1500 contos, e realizado nas vésperas de um encontro entre as duas equipas.

1996:

Fernando Barata declara ter sido intermediário num alegado suborno do FC Porto ao Aberdeen em 1984. Um ano em que, inclusive, os portistas chegam à final da Taça das Taças. No âmbito desta acusação Pinto da Costa processa o presidente do Imortal. Refira-se ainda que Fernando Barata é chamado a prestar declarações na UEFA.

1997:

Uma factura do FC Porto com o registo de uma viagem paga a Carlos Calheiros ao Brasil, por intermédio da agência Cosmos, é tornada pública no programa da SIC "Os Donos da Bola". A Polícia Judiciária inicia as investigações e rapidamente o caso dá entrada no Ministério Público.

Fevereiro de 1999: Vale e Azevedo, presidente do Benfica, denuncia alegada corrupção a um guarda-redes da I Divisão. O nome supostamente proferido pelo líder encarnado não chega a ser conhecido.

AURÉLIO DE MACEDO e CARLOS OLIVEIRA

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