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Valdo, Mozer, Ricardo Gomes, Aldaír ou Rui Costa foram alguns dos jogadores agenciados por Barbosa...
Manuel Barbosa, o primeiro empresário de futebol reconhecido como tal pela FIFA, morreu esta quinta-feira, aos 69 anos. Nascido em Braga, adepto e sócio do Benfica, trouxe para o clube da Luz alguns dos melhores jogadores brasileiros de sempre – Carlos Mozer, Ricardo Gomes, Valdo, Aldair, Isaías – fez uma das mais badaladas transferências do Benfica para Itália – Rui Costa para a Fiorentina – mas acabou por desligar-se no futebol há cerca de uma década, desiludido com “a falta de ética”, para usar as suas próprias palavras.
A vida empresarial de Manuel Barbosa começou em França, nos arredores de Paris, na década de 1970, com uma agência de viagens direcionada para os emigrantes portugueses. É a partir dessa base que começa a colaborar com o Benfica, organizando viagens do clube na Europa. Depressa percebe que pode aventurar-se no agenciamento de jogadores, um papel embrionário no começo da década de 80.
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É para o Benfica que faz uma mão cheia de grandes contratações, com números milionários para a época. Valdo, Carlos Mozer, Ricardo Gomes, mas também Isaias ou Aldair. Orgulhava-se de ter “roubado” Mozer ao FC Porto e Ricardo Gomes ao Sporting, mas não deixou de trabalhar com o FC Porto. Levou Branco para as Antas e Carlos Secratário para o Real Madrid, por exemplo.
Era o empresário que representava o maior número de jogadores da seleção do Brasil no Mundial de 1990, todos eles a jogar em clubes portugueses.
Conhecido pela frontalidade do seu discurso, Manuel Barbosa reclamou ter “salvado o Benfica da falência” com a transferência de Rui Costa para a Fiorentina. Manuel Damásio, o presidente encarnado à época, admitiu que o negócio “foi importante” para equilibrar as contas do clubes.
Mas já antes Manuel Barbosa ajudara a enriquecer os cofres do Benfica. O clube da Luz pagou bem por Valdo, Ricardo Gomes ou Mozer, mas também lucro bastante com as suas saídas. Os dois primeiros foram transferidos para o Paris Saint-Germain e o terceiro para o Marselha, acabando os três por regressar, mais tarde, ao Benfica. Sempre com Barbosa a intermediar.
Outros nomes mudarem-se no Brasil para a Europa pela sua mão. Um deles foi Raí, do São Paulo para o Paris Saint-Germain, em 1993. Na passagem por Lisboa, rumo à capital francesa, o jovem jogador brasileiro reconheceu “tudo dever a Manuel Barbosa pela concretização do sonho de vir jogar para a Europa”.
Supersticioso
Manuel Barbosa era um homem supersticioso e não o escondia. Na final da Taça dos Campeões Europeus de 1990/91, entre o Marselha e o Estrela Vermelha de Belgrado, disputada em Bari, Itália, fez tudo o que lhe foi possível para chamar a atenção do treinador Franz Beckenbauer antes do desempate por penáltis. Barbosa tentou pedir ao alemão que não deixasse o defesa Manuel Amoros marcar um penálti.
Afinal, não só era lateral direito como usava a camisola com o número 2, exactamente como António Veloso, o jogador do Benfica que, dois anos antes, também falhou o penálti no desempate da final da Taça dos Campeões que o Benfica perdeu para o PSV Eindhoven.
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