O que valem os recordes financeiros de Benfica e Sporting ao pé dos tubarões

FC Porto ainda não revelou os dados de 2016/17

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• Foto: Paulo Calado

O Manchester United anunciou esta quinta-feira as maiores receitas de sempre, obtidas na temporada passada. O Benfica, adversário dos red devils na Liga dos Campeões, também o tinha feito. A poucas semanas do duelo entre as duas equipas, olhamos para os números que as separam fora de campo e que podem ter peso dentro dele.

Benfica e Sporting já divulgaram os resultados financeiros da temporada passada – falta o FC Porto – e desde logo saltam à vista as boas performances em termos de receitas e de lucro. Em todo o caso, os clubes portugueses ainda andam longe do topo europeu.

"Se quisermos comparar com os grandes clubes europeus, a décalage é tão grande que os clubes portugueses dificilmente conseguem sustentar uma política de aquisições para competir olhos nos olhos com os grandes. No contexto dos países, por exemplo se medirmos os pesos das ligas portuguesa e inglesa, vemos que as diferenças não são assim tão grandes entre Benfica e Manchester United, dentro das suas realidades. Mas o Benfica também compete com esses clubes e aqui é que se coloca o problema: com receitas destas é impossível ter competitividade a sério no panorama europeu", revelou em declarações a Record.

De resto, o economista frisou o papel preponderante dos direitos televisivos nas receitas astronómicas: "São clubes que têm uma grande fonte de receitas nos direitos televisivos, porque se tornaram marcas mundiais. Particularmente os ingleses, que foram os primeiros a perceber que era muita importante jogar para o mercado asiático. Por isso é que vemos jogos ao meio-dia".

Em todo o caso, Camilo Lourenço destaca que por vezes acontecem… milagres: "Claro que há uma ressalva. É que o dinheiro nem sempre compra a felicidade futebolística. O que Manuel Machado disse é verdade, mas muitas vezes esconde a incapacidade dos clubes de terem resultados. Recorde-se que o Benfica eliminou o Manchester United em 2005, com aquela equipa…".

Passivo alto em Portugal mas baixo – ou escondido – lá fora

Olhando para a tabela, vemos que os valores relativos à dívida são muito altos em Portugal, contrastando com as grandes potências futebolísticas. Para Camilo Lourenço, é um cenário preocupante que deveria merecer mais atenção.

"Há um legado muito pesado, no Benfica e sobretudo do caso do Sporting. É isso que me preocupa. Quando vejo as contratações dos clubes portugueses, dá-me a sensação de que não estão preocupados. E deviam estar", explicou, antes de abordar uma alternativa que tem sido muito procurada, mas que pode não ser a melhor.

No caso específico de Bayern Munique e Real Madrid, o valor da dívida é, oficialmente, zero, embora não queira dizer que os dois emblemas não tenham compromissos por pagar.

"Esses relatórios são auditados e portanto partimos do princípio que dizem a verdade. Mas por vezes isso tem a ver com liquidez que compensa as dívidas que o clube tem", explicou Camilo Lourenço.

O caso do Chelsea é diferente e o economista pede a atenção da UEFA para o caso. É que os blues passaram rapidamente de um passivo superior a mil milhões de euros para… zero. A dívida, contudo, não foi liquidada.

"Acho incrível como a UEFA não se atira a isso. Roman Abramovich mudou a dívida para empresa dele. A UEFA devia olhar para isso. Mas isto no futebol anda mais devagar do que empresas. Porquê? Porque o futebol tem muito poder. Mas não vai continuar assim para sempre", concluiu.

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