Olivais e Moscavide: Queda vertiginosa
Há quatro épocas, a equipa de futebol do Olivais e Moscavide ainda disputava a Divisão de Honra. Há cerca de duas semanas, quando da derrota (1-3) na deslocação ao terreno do Caldas, deu-se a queda nos campeonatos distritais. Uma descida vertiginosa deste clube lisboeta, que vai completar 98 anos em setembro, e que teve o seu momento alto no futebol profissional quando, em 2006/07, disputou a Divisão de Honra. Na altura até deu que falar, sendo surpresa nas primeiras jornadas, com uma equipa com nomes como André Marques, Pereirinha, Carlos Saleiro e Rui Varela, mas acabou por descer. E não mais parou, até ver agora consolidado o regresso ao campeonato distrital, de onde saíra em 1976.
Extinção? Não...
Uma profunda crise financeira é a explicação para tudo isto. Joaquim Simão, atual presidente, em funções há cerca de um ano, tem um discurso realista: "Encontrámos o clube cheio de dívidas e sem receitas. No decorrer desta época até nos penhoraram as carrinhas, devido a dívidas aos funcionários do bingo e à empresa que construiu o sintético para o futebol de sete."
Antigo atleta do clube e ex-membro do Conselho Fiscal de uma das direções do antigo líder José Caldeira, Simão recusa culpabilizar quem quer que seja, centrando atenções na situação atual: "O pior é que neste momento não podemos fazer qualquer plano, uma vez que não há dinheiro. Tudo o que possa chegar, de algumas fontes de rendimento, é de imediato arrecadado pelo fisco."
Apesar de tudo, recusa o pior: "Este clube vai completar 98 anos em setembro e a sua extinção está fora de questão." Porém, a participação na Divisão de Honra da AF Lisboa, na próxima época, é ainda uma incógnita: "Teremos que chegar a acordo com o Sindicato dos Jogadores, no que concerne a pagamentos em atraso a atletas, ou não poderemos inscrever ninguém. Tudo faremos para o conseguir, sendo certo que, como aconteceu esta época, quem jogar no O. Moscavide terá que fazê-lo gratuitamente."