Paulo Torres: «Ainda tenho valor para jogar na I Liga»
É na II Divisão B que o antigo lateral esquerdo do sporting evolui agora; entretanto, abriu uma escola de futebol em Torres Vedras.
PAULO Torres foi campeão mundial de juniores em 1991, no campeonato disputado em Portugal. Na altura jogava no Sporting, clube no qual se estreara com apenas 17 anos, e era apontado como o futuro lateral-esquerdo da selecção nacional.
No entanto, a carreira não correu como esperava. Foi internacional A em três ocasiões mas acabou por sair do Sporting, e após uma época em Campo Maior rumou a Espanha para alinhar no Salamanca.
Passou mais tarde pelo Rayo Vallecano e pelo D. Chaves, onde tentou relançar a carreira no futebol português. A experiência não resultou e voltou a Espanha para alinhar no Leganés, da II Liga.
Na presente temporada regressou a Portugal para jogar pela primeira vez nos escalões secundários, no Torreense, da II Divisão B.
Quase a completar 29 anos de idade, o lateral-esquerdo está longe de terminar a carreira e aguarda a oportunidade de regressar ao estrangeiro ou à I Liga portuguesa.
- Como está a correr o regresso ao futebol português?
- Muito bem. É uma experiência nova mas sinto-me bem no Torreense, pois é um clube onde me tratam muito bem. Além disso, temos uma boa equipa e estamos dispostos a lutar pela subida à II Liga.
- Mas jogar na II Divisão B não é um passo atrás na sua carreira?
- Não. Tive outros convites mas optei pelo Torreense por ter a família e os negócios aqui na zona. No entanto, ainda penso regressar à I Liga ou ao estrangeiro. Estou com 28 anos e não estou a pensar no final da carreira. Vejo os jogos do campeonato na televisão e, sinceramente, sinto que ainda tenho valor para jogar na I Liga, pois é muito mais fácil jogar nesse campeonato do que na II Divisão B.
- Como reencontrou o futebol português?
- O futebol português está a voltar atrás, está a piorar. Voltaram a contratar-se muitos estrangeiros e não se dá oportunidades aos jovens portugueses. Depois há os casos como o meu, pois as pessoas criaram a imagem de os jogadores portugueses ganharem muito dinheiro no estrangeiro e isso dificulta o regresso ao futebol português.
- Nesse caso, ter ido para Espanha foi mau para a sua carreira?
- Não, foi positiva, pois fiz lá boas temporadas. Aprendi muito com o João Alves, no Salamanca, e ganhei muita experiência como jogador.
- Então o que correu mal na sua carreira?
- Tive fases boas e outras más. Fiz mal em sair do Sporting, mas depois de uma época em que era titular indiscutível passei a ser a quarta opção, pois apareceram o Vujacic, o Nuno Valente e o Pedrosa, e optei por ser cedido. Acabei por ter alguma culpa pela forma como as coisas correram mas também tive algum azar.
- Pode concretizar?
- Quando somos mais novos pensamos que sabemos tudo e acabamos por errar. Em relação ao azar, foi na minha segunda época no Salamanca: fiz 17 jogos seguidos, sempre a bom nível, e estive quase a assinar pelo Benfica, mas lesionei-me e a época acabou para mim. Nesse aspecto tive azar.
O pior momento da carreira
Paulo Torres é sportinguista. Cresceu no clube de Alvalade e quando lhe perguntámos qual dos clubes gostaria de regressar não hesita em responder Sporting. "Foi o clube onde aprendi muito e me formei como jogador e como homem", afirma.
Na época passada vibrou com o título de campeão dos leões, não só como adepto mas também por Augusto Inácio, seu treinador no D. Chaves. No entanto, no Sporting conheceu também o pior momento da sua carreira, o jogo com o Benfica na época de 93/94.
“A derrota dos 6-3 marcou-me muito pela negativa. Se tivéssemos vencido esse jogo, em princípio seríamos campeões nacionais. O jogo marcou-me pela derrota e pela forma como fui substituído, mas foi essa a opção do técnico e tem de ser respeitada.
Ao intervalo estávamos a perder e o treinador optou por colocar um jogador mais ofensivo e saí eu, como podia ter saído o lateral-direito. Infelizmente sofremos mais três golos e perdemos, mas caso tivéssemos vencido ninguém criticava a opção. Mesmo assim continuo a considerar Carlos Queiroz o melhor treinador que tive."
Quem é quem
Nome: Paulo Manuel Banha Torres
Idade: 28 anos (25-11-71)
Naturalidade: Évora
Altura: 1,74 m
Peso: 74 kg
Posição: lateral-esquerdo
Internacionalizações: 3
Títulos: vencedor da Taça de Portugal 94/95; campeão mundial de sub-20 em 1991
Clubes por onde passou: Sporting (89-95); Campomaiorense (95/96); Salamanca (96-98); Rayo Vallecano e D. Chaves (98/99); Leganés (99/00); Torreense (00/01).