Pedro Proença: «Registamos 135 milhões de euros de perdas de receitas»

Presidente da Liga admite "forte impacto negativo na economia" causado pela Covid-19

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) revelou esta quarta-feira que a época 2019/20, que terminou há poucos dias, será marcada pela perda de receitas, pondo fim a um ciclo de crescimento registado até este ano.

Na conferência Futebol Profissional e Economia Pós COVID-19, promovida pela LPFP, em Oeiras, Pedro Proença, revelou que a época 2019/20 terminou com uma perda de receitas de 135 milhões de euros (ME), que interrompeu o crescimento registado até março, antes do confinamento.

"Esta época que agora terminou será de perdas de receitas. Registamos 135 ME de perdas de receitas com a covid-19, que se justificam com a suspensão da Segunda Liga e os jogos à porta fechada na Liga NOS. Até março, estávamos com uma taxa de crescimento de 12%, mas a pandemia terá fortes impactos negativos", admitiu.

Para fazer face a estes resultados operacionais, Pedro Proença avançou que a centralização dos direitos televisivos, que já antes defendia, é agora um caminho "obrigatório".

"Estamos focados em analisar os pontos mais débeis da nossa atividade e que a pandemia tornou mais evidentes. Um dos mais significativos é a centralização dos direitos televisivos, que é absolutamente necessária e obrigatória", frisou.

Segundo Pedro Proença, "ficaram visíveis as assimetrias entre os vários clubes e, caso a Primeira Liga não tivesse terminado, teriam sido grandes as dificuldades de muitos clubes para sobreviver financeiramente".

O presidente da LPFP explicou que a fase final da Liga NOS, com jogos à porta fechada, acarretou uma perda de 52 ME em direitos televisivos e de 23,4 ME em atividade comercial e de bilhética.

"Vamos enfrentar grandes desafios no futebol profissional, mas assumimos o papel cada vez mais importante que temos junto dos clubes e adeptos. São grandes desafios, nomeadamente os direitos televisivos, com um novo modelo competitivo e a sustentabilidade financeira dos clubes, temas que a pandemia tornou evidente que precisam de ser trabalhados", concluiu Pedro Proença.

Na mesma conferência, o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto (SEJD), João Paulo Rebelo, saudou a LPFP pela retoma da Liga NOS "sem sobressaltos", manifestou "orgulho" pela conclusão da prova, e, sobre os efeitos da pandemia de covid-19 no futebol, admitiu que a centralização dos direitos desportivos é uma "prioridade".

"Os dados económicos hoje aqui divulgados trazem preocupação. O desporto é um setor que integra a nossa sociedade e conhecerá os impactos da pandemia, e também por isso está integrado nos quadros de apoio que o Governo definiu e pensará no futuro", explicou o governante.

Lembrando que o regime jurídico das sociedades desportivas "é uma questão ainda mais premente", João Paulo Rebelo avançou que é preciso continuar a pensar em conjunto, explicando que "se não fosse a pandemia, até legislativamente já estaria resolvida a questão da centralização dos direitos televisivos".

Na conferência "Futebol Profissional e Economia Pós COVID-19" foi também apresentado o anuário 2018/19 pela LPFP. O documento mostra que nessa época foram criados mais de 2.600 postos de trabalho diretos e que o futebol contribui com mais de 549 ME para o PIB, um aumento de mais 153 ME face à época anterior.

Com um peso de 0,27% do PIB nacional, o futebol teve um volume de negócios de 851 ME e contribuiu em 2018/19 com mais de 150 ME em impostos.

Para Pedro Proença, estes resultados são uma "demonstração de profissionalismo".

"Chegámos ao ponto de maturidade e iniciámos um novo ciclo, com viragem para os mercados internacionais no prazo 2019/23. Estou certo de que os números continuariam em ascensão não tivéssemos sido surpreendidos pela pandemia", lamentou o presidente da LPFP.

Por Lusa

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