Saiba de que modalidade o FC Porto desviou Fábio Faria para o futebol

Aos 12 anos, foi convidado para integrar o Centro de Alto Rendimento em Lisboa

• Foto: José Reis / Movephoto

RECORD - Como é que foi a sua passagem do basquetebol para o futebol?
FÁBIO FARIA – Foi muito curiosa e depois soube mais tarde que envolveu também o pai do Hélder Postiga. Nós ainda temos ligações familiares e era costume a habitual reunião na Páscoa, onde nós, como era natural, passávamos muito tempo a jogar à bola. Na altura, o pai do Hélder gostou de me ver jogar e qual não foi o espanto do meu pai quando, mais tarde, recebeu um telefonema do FC Porto para eu ir lá prestar provas.

R – Já era, pelo menos, mais alto do que a maioria das crianças?
FF – Sim e era grande jogador de basquetebol, pelos vistos, pois ao mesmo tempo, nesse mesmo ano, fui um dos eleitos pela Federação Portuguesa de Basquetebol, apenar de ter só 12 anos, para ir para o Centro de Alto Rendimento em Lisboa. O convite era para ficar, pelo menos, três anos lá, com tudo pago e a frequentar a escola. Por isso é que quando o meu pai recebeu aquele telefonema pensava que era o pessoal do basquetebol.

R – O que recorda desses primeiros tempos no FC Porto?
FF – Lembro-me bem do primeiro dia como se fosse hoje. Eu era do basquetebol e andava de fita na cabeça, calções largos e sapatilhas de bota alta. Cheguei à Constituição cheio de estilo e fiquei com a sensação de estar toda a gente a olhar para mim, mas o pior foi quando me equipei, pois só tinha um equipamento de futebol, que era da escolinha do meu pai, mas a camisola era amarela e os calções vermelhos. Mandaram-me logo à rouparia trocar de calções e lembro-me também que tive de pedir emprestadas umas chuteiras que eram de um amigo do meu pai.

R – Como é que foi a saída do FC Porto?
FF – É sempre um momento que nos marca. Na altura foi o professor Ilídio Vale quem me comunicou. Fiquei triste, porque tinha feito uma grande época naquela que era a segunda equipa, na altura jogava no Padroense. Era defesa-esquerdo e fui o melhor marcador, mas no ano seguinte decidiram ficar com outro. Foram outros interesses que agora não vale a pensa focar, mas na altura fiquei muito triste e revoltado. Mas depois fui para o Rio Ave, onde sempre me senti em casa. É o meu clube do coração.

R – Como é que está a ser a experiência como treinador?
FF – Está a ser bem melhor que eu pensava. Estive como adjunto nos juniores e agora estou na equipa B com o Zé Gomes, que jogou comigo.

R – Mas vê-se a seguir a carreira de treinador?
FF – Sinceramente, nunca pensei nisso. Achava até que não conseguia fazer, porque apesar de ser um bem disposto, sou algo introvertido quando estou em frente a um grupo, mas tenho aprendido muito nos últimos dois anos. Já tirei o Nível I de treinador e só não fiz o segundo porque esta época não houve na zona do Porto, mas vou avançar.

R – Entre a sua vertente de empresário e a de treinador o que pesa mais?
FF – Claramente a do técnico. Gosto muito de estar perto do jogo, continuar ligado ao futebol. Depois de uma fase inicial, em função do que me aconteceu, em que até achava ser impossível, agora percebo que é algo que até, de alguma maneira, me ajuda a ultrapassar o que me aconteceu. Quanto à do empresário, foi fazendo umas coisas, mas deixo isso mais para a minha mulher. Já lançamos uma marca de roupa e agora temos uma logo de biquínis, na Póvoa, mesmo em frente ao Estádio do Varzim. O futebol está-me no sangue desde pequeno, pois as primeiras recordações que tenho é de ir de mão dada com o meu pai para os estádios para ver os jogos dele. É natural que, apesar do que me aconteceu, siga esse caminho da vertente de treinador, pois estou a gostar mesmo muito desta nova fase.

Por António Mendes
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