Trás-os-Montes no mapa do futebol
A JÁ DISTANTE época de 1985/86 marcou a estreia de uma das mais remotas regiões de Portugal no Campeonato Nacional da I Divisão. Pela primeira vez, no seu longo historial, a prova maior do futebol português ultrapassava os limites do Marão. Autor da proeza: o Desportivo de Chaves, actualmente a disputar a II Liga e que amanhã comemora 50 anos de existência.
À novidade inicial seguiu-se a surpresa. Em Chaves morava uma boa equipa de futebol, aguerrida e lutadora, a qual, logo na temporada inicial, arrancou um excelente sexto posto na classificação. A confirmação surgiu logo no final da época seguinte: um lugar acima na tabela e uma inédita qualificação para a Taça UEFA. O emblema azul-grená fazia história e, em apenas dois anos, saltava do quase anonimato para o galarim da Europa.
A prestação uefeira até nem começou mal. Os romenos do Universidade de Craiova foram os primeiros adversários. Uma vitória em Chaves por 2-1, depois de uma derrota em Craiova por 3-2, carimbariam a passagem à segunda eliminatória. E aí terminou o sonho de Raul Águas, técnico que subira o Desportivo à I Divisão. Uma derrota em casa por 1-2, na primeira mão, foi confirmada por novo desaire em Budapeste, por 1-3. O Honved seguia em frente.
Na memória dos flavienses residirá ainda, como marca da participação europeia, os dois golos apontados por Vermelhinho, figura de proa de uma equipa constituída por nomes como o capitão Diamantino Brás, o estratego Radi Zdravkov ou o guarda-redes Padrão.
Até ao final dos anos 80, princípios dos anos 90, a aura do Desportivo de Chaves manteve-se sempre em alta, como se afere pelas classificações finais. A Raul Águas sucedeu José Romão, como herói dos adeptos flavienses, quase sempre com óptimos resultados.
SALVOS PELO LEÇA
A década de 90 surge como uma viragem na história do clube transmontano. A descida de divisão, em 1992/93, provoca uma primeira passagem pela II Divisão de Honra. A força do futebol flaviense não mais voltou a ser a mesma.
Uma despromoção que parecia ser também inevitável na época 1997/98, terminada pelos flavienses no 16º lugar da classificação. Todavia, as consequências do “caso Leça”, concluído no defeso desse ano, acabaram por adiar a descida, que surgiu no final da última temporada.
Os resultados de treze presenças na I Divisão são, no entanto, bastante positivos. Entre as 65 equipas que já participaram no escalão principal, o Desportivo de Chaves ocupa uma muito honrosa 23ª posição. Com o mérito de ter posto Trás-os-Montes no mapa do futebol nacional.
50 ANOS DE HISTÓRIA
O Grupo Desportivo de Chaves foi fundado em 27 de Setembro de 1949, pela fusão de dois clubes: o Flávia Sport Clube, existente desde 5 de Setembro de 1925, e o Clube Atlético Flaviense, existente desde 14 de Agosto de 1932.
Conta com 15 presenças no Campeonato Nacional da III Divisão - 50/51, 51/52, 54/55 e 61/62 a 72/73 -, tendo sido finalista em 54/55. Tem 21 participações no Campeonato Nacional da II Divisão - 49/50, 52/53, 53/54, 55/56 a 60/61 e 73/74 a 84/85.
Campeão da liguilha de acesso à I Divisão na época 84/85, o Desportivo de Chaves estreou-se na I Divisão em 85/86, disputando o escalão principal entre 85/86 e 92/93 e entre 94/95 e 98/99. Dois quintos lugares, em 86/87 e 89/90, foram as melhores classificações de sempre.
A presente temporada é a segunda que os flavienses disputam na II Liga, depois de em 93/94 terem participado na então II Divisão de Honra. Esteve presente em 34 edições da Taça de Portugal.
Participou na Taça UEFA em 87/88.
Além de futebol, praticado desde as escolas até aos juniores, dispõe de uma secção de atletismo.
LUÍS NUNES, com PAULO REIS