Antigo diretor do DCIAP confirma que Rui Pinto tinha números de telemóvel de magistrados

Amadeu Guerra prestou depoimento no julgamento do pirata informático

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• Foto: David Cabral Santos
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Amadeu Guerra, antigo diretor do DCIAP, revelou esta quarta-feira, em mais uma sessão do julgamento de Rui Pinto que o pirata informático tinha números de telemóvel pessoais de magistrados.

"Estão aqui números de telefone. Serão pessoais?", pergunta a procuradora. "Que eu saiba, os magistrados não têm números de telemóvel atribuído pela PGR. Serão números pessoais", respondeu a testemunha.

"E a pessoa com o número 1277?", pergunta a procuradora. "É o meu nome, com a data de nascimento, mas tem espaço para outras informações, que não constam", lê Amadeu Guerra.

"E a pessoa com o número 1074?", pede novamente a procuradora. Amadeu Guerra responde: "Diz Marta Viegas [a procuradora do MP responsável pelo caso do Football Leaks], com a sua data de nascimento e um número de telefone", diz Amadeu Guerra. "É o meu número de telefone!", refere a procuradora ao tribunal, confirmando a veracidade da informação a que Rui Pinto terá acedido.

Segundo o Ministério Público Rui Pinto terá feito "307 acessos à PGR". A procuradora mostrou um documento já discutido com o inspetor da Polícia Judiciária, José Amador, o ficheiro 'w', encontrado no computador de Rui Pinto, onde Amadeu Guerra identificou os acessos usados por vários magistrados para entrarem nas suas contas da PGR.

"Não tive conhecimento do acesso aos meus e-mails. Quando soube foi para prestar declarações no processo", adiantou Guerra.

Foi mostrada a cópia da caixa de email de Amadeu Guerra, que Rui Pinto teria alegadamente no seu computador, e que mostra que tinha acesso aos quase 54 mil emails. Entre os emails estavam documentos, como a carta enviada às autoridades húngaras com pedido de cooperação na investigação a Rui Pinto.

"É hábito o arguido ter acesso aos documentos antes de ser constituído arguido?", perguntou a procuradora. "Não é hábito... terá sido encaminhado? Não sei...", admitiu a testemunha.

Nos documentos alegadamente consultados por Rui Pinto constam os processo dos Anonymous, a Operação Lex, que tem Rui Rangel como um dos principais arguidos, ou a Operação Marquês...

Ex-diretor do DCIAP diz que há várias investigações a clubes e jogadores, "em fase de instrução", mas não confirma se têm origem no Football Leaks.

A finalizar, adiantou ainda que recusaria uso de provas fornecidas por Rui Pinto: "No meu tempo, sempre direi que enquanto estive no DCIAP, relativamente a informação obtida ilicitamente, nunca considerámos o seu uso", afiançou Amadeu Guerra.

(notícia atualizada às 18h07)

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