Inspetor da PJ diz que colaboração de Rui Pinto terá de ir além da abertura dos discos

Julgamento está a decorrer no Campus de Justiça, em Lisboa

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• Foto: Pedro Simões
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17h44 - A sessão terminou por hoje. Na próxima terça-feira o especialista José Luís de São Bento irá continuar o seu testemunho.

Na segunda parte da sessão, o especialista da PJ mostrou no ecrã do tribunal parte dos ficheiros encontrados nos discos rígidos apreendidos ao arguido. Foi mais de uma hora de uma exposição muito técnica, sobre programas de sistemas paralelos e coisas do género, algo que apenas o próprio Rui pinto parecia perceber.

Entre os muitos ficheiros que o especialista foi mostrando, destaque para um email do Benfica. Uma mensagem para Domingos Soares de Oliveira com conhecimento de Paulo Gonçalves mas que a procuradora disse ao especialista para não ler o conteúdo. 

15h35 - Está a ser ouvido José Luís de São Bento, especialista da PJ na unidade de cibercrime. "Fiz a análise forense ao equipamento RP3 apreendido ao arguido. Foquei-me nesse aparelho, que tinha muita informação. É um disco externo, mas é uma cópia exata de um computador."

O especialista explicou ao pormenor durante mais de uma hora, com muitos termos informáticos, tudo o que encontrou no disco rígido, tais como credenciais, páginas de internet, ficheiros de "como entrar num sistema", notas pessoais, etc. Detetou ainda dois portais alterados, que eram cópias do site da Federação Portuguesa de Futebol, um da versão mais antiga e outro da nova versão.

12h16 - A defesa de Rui Pinto perguntou ao inspetor se a PJ tinha tido acesso às contas bancárias do arguido. "Sim, não só do arguido como da família. Não verificámos nada de anormal nas contas portuguesas ou da Hungria." 

Advogada também quis saber sobre os leilões de antiguidades em que o arguido teria participado. "Nos anexos de uma pen vimos que havia uma lista de livros da 2.ª Guerra Mundial, com valores de compras e vendas, mas não eram valores expressivos." Seria essa a fonte de rendimento do arguido?, inquiriu a advogada. "Se era o arguido devia viver muito mal, mas não encontrámos mais nenhuma fonte de rendimento", respondeu o inspetor.

Em relação à colaboração de Rui Pinto com a PJ, a defesa perguntou se foi explicado ao arguido durante o interrogatório que o conteúdo dos discos não seria única e exclusivamente utilizado contra ele. "Acho que em momento algum lhe foi dito dessa forma."

Mas já se abordava o tema da colaboração?, inquiriu a advogada. "Sim, mas como a questão da autoincriminação não era ultrapasada, fechava-se o tema".

A advogada quis saber se o arguido não tivesse colaborado, qual seria o tempo previsto para a PJ entrar nos discos. "Não sei, pedia levar muitos anos, mas o que era impossível há cinco anos hoje já se consegue fazer, por isso não posso dizer com exatidão."

A defesa perguntou também se a colaboração do arguido vai para além da abertura dos discos. "Sim, terá de ir para além disso, temos condições para ir para além disso", respondeu o inspetor.

Uma das juízas quis saber se a PJ investigou as fontes de rendimento do arguido em termos de moeda digital. "Não encontrámos nada, mas isso não é uma investigação fácil", respondeu José Miguel Amador. Mas a juíza contrapôs dizendo que "este perfil de pessoa é normal ter este tipo de fundos". "Calculo que sim", concordou o homem da PJ. O inspetor voltou a referir que o arguido não revela qualquer sinal de riqueza, referindo-se mesmo à casa onde Rui Pinto vivia na Hungria. "Não era o bairro mais fino de Budapeste, até tinha zonas pouco recomedáveis."

Aconteceu também esta manhã a inquirição da defesa de Aníbal Pinto, em que no advogado Amilcar Fernandes fez várias perguntas relativas ao encontro - na A5, com a Doyen - que alegadamente incrimina o seu cliente. O inspetor garantiu que nem o encontro nem o local onde ia acontecer foi sugerido pela PJ. "Não sei de que parte nasceu a ideia do encontro". 

Terminou o depoimento do inspetor José Miguel Amador; na parte da tarde será ouvido um especialista da PJ em informática, José Luís de São Bento.

9h17 - Esta manhã vai continuar a ser ouvido o inspetor da PJ José Miguel Amador.

- Rui Pinto arrolou 45 testemunhas, entre as quais o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho, o treinador do Benfica, Jorge Jesus, a ex-eurodeputada Ana Gomes, o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, e Edward Snowden, que em 2013 denunciou informações confidenciais e programas ilegais de espionagem dos Estados Unidos.

- O arguido, que também é responsável pelo processo Luanda Leaks, está em liberdade desde 7 de agosto, por decisão da presidente do coletivo de juízes responsável pelo julgamento, Margarida Alves, encontrando-se inserido no programa de proteção de testemunhas, em local não revelado e sob proteção policial.

- Rui Pinto, de 31 anos, assumiu ser o criador do Football Leaks e, sob o pseudónimo 'John', ter divulgado informações que terá obtido de forma ilícita a partir de Budapeste, onde foi detido em 16 de janeiro de 2019.

- Rui Pinto, criador da plataforma eletrónica Football Leaks, através da qual divulgou milhares de documentos confidenciais do mundo do futebol e alegados esquemas de evasão fiscal cometidos em diversos países, é acusado de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo e ainda pelos crimes de sabotagem informática à SAD do Sporting e tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen, pelos quais começa a responder no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

- Bom dia, vamos acompanhar a oitava sessão do julgamento de Rui Pinto, que decorre no Campus de Justiça, em Lisboa.

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