Quarta sessão do julgamento de Rui Pinto, em direto: «Foram dias de caos e pânico»

Costa Pereira, advogado da PLMJ, fala da divulgação dos processos e emails

• Foto: Pedro Simões

12h59 - A sessão foi interrompida para almoço. Inês Almeida Costa vai continuar a ser ouvida à tarde.

12h04 - Houve uma pausa na sessão, Costa Pereira já terminou o seu depoimento. Segue-se Inês Almeida Costa, também ex-advogada da PLMJ.

"Vi expostos documentos criados por mim relativos a testemunhas da Benfica SAD no processo E-Toupeira. Foram dias de caos e pânico, não sabíamos o que vinha a seguir. Foi criada uma sala de crise na PLMJ, com meios informáticos, à qual nos dirigíamos sempre que era divulgado mais algum documento. Quem não passa por isto não faz ideia da sensação de estar sempre a ser observado, foi como se passássemos de bestiais a bestas como advogados", conta Costa Pereira.

"Quando saiu a decisão do caso E-Toupeira, da SAD não ir a julgamento, trocámos emails entre nós a regozijarmo-nos por isso. Mas mesmo dentro do escritório passámos a ser vistos como leprosos, as pessoas pareciam ter medo de falar connosco, com medo de ver essas conversas divulgadas."

"A pasta da defesa do Benfica, por exemplo, sempre que era divulgada dava aso a discussões nos fóruns desportivos, além da enorme cobertura dos jornais."

O advogado de Costa Pereira, que é representado pelo pai, quis saber se isto ainda tem repercussões na sua vida. "Ainda há dois dia, antecedendo a minha vinda aqui ao tribunal, o arguido retweetou um tweet de um dos seus seguidores a criticar-me. Desde então, tem sido um chorrilho de insultos e ameaças."

Isto motivou as primeiras reações de Rui Pinto, que se riu e abanou a cabeça várias vezes, comentando de seguida a juiza: "É no tribunal que as coisas se decidem, não nas redes sociais. Com certeza que o arguido também é insultado." E Rui Pinto acenou afirmativamente.

Quando se falou de um processo de Isabel dos Santos, que Costa Pereira também representava, Rui Pinto tirou algumas notas e entregou a um dos seus advogados.

Francisco Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto, confrontou-o com a suas próprias declarações, quando disse que "no escritório passaram a ser tratados como leprosos". "Obviamente essas palavras eram metafóricas", respondeu Costa Pereira.

8h26 - Esta manhã vão ser ouvidos os advogados Rui Costa Pereira e Inês Almeida Costa, que trabalhavam na PLMJ quando a sociedade de advogados foi alvo do ataque informático. À tarde vai prestar depoimento um inspetor da Polícia Judiciária, na qualidade de testemunha do Ministério Público.

11h31 - Está a ser ouvido o advogado Rui Costa Pereira, que trabalhava na sociedade PLMJ aquando do ataque informático àquela sociedade.

O advogado recorda que a 23 de dezembro de 2018 estava a celebrar o aniversário da mãe quando as informações relativas aos processos foram divulgadas. Diz que foi à PLMJ desligar os cabos dos computadores, para tentar impedir a divulgação de mais informação.

Rui Costa Pereira, que viu os documentos serem exibidos no blogue 'Mercado de Benfica', contou que viveu momentos de "paranóia", com "a sensação de estar a ser constantemente observado". Adianta ainda que passou a ter uma atitude diferente no que diz respeito à internet e aos telemóveis. Deixou de recorrer tanto ao email e ao telefone, além de trocar várias vezes as passwords. 

- Recorde aqui tudo o que aconteceu na sessão de quarta-feira.

- Rui Pinto arrolou 45 testemunhas, entre as quais o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho, o treinador do Benfica, Jorge Jesus, a ex-eurodeputada Ana Gomes, o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, e Edward Snowden, que em 2013 denunciou informações confidenciais e programas ilegais de espionagem dos Estados Unidos.

- O arguido, que também é responsável pelo processo Luanda Leaks, está em liberdade desde 7 de agosto, por decisão da presidente do coletivo de juízes responsável pelo julgamento, Margarida Alves, encontrando-se inserido no programa de proteção de testemunhas, em local não revelado e sob proteção policial.

- Rui Pinto, de 31 anos, assumiu ser o criador do Football Leaks e, sob o pseudónimo 'John', ter divulgado informações que terá obtido de forma ilícita a partir de Budapeste, onde foi detido em 16 de janeiro de 2019.

- Rui Pinto, criador da plataforma eletrónica Football Leaks, através da qual divulgou milhares de documentos confidenciais do mundo do futebol e alegados esquemas de evasão fiscal cometidos em diversos países, é acusado de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo e ainda pelos crimes de sabotagem informática à SAD do Sporting e tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen, pelos quais começa a responder no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

- Bom dia, vamos acompanhar a quarta sessão do julgamento de Rui Pinto, que decorre no Campus de Justiça, em Lisboa.

Por Miguel Amaro
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