Catarina Amado: «Fico arrepiada quando jogo no Estádio da Luz, é muito especial para mim»

Catarina Amado, jogadora do Benfica e da Seleção Nacional feminina
• Foto: SL Benfica

Aos 26 anos, Catarina Amado é um dos símbolos da equipa principal feminina de futebol do Benfica. A internacional portuguesa alcançou recentemente, frente ao Sp. Braga, na Taça da Liga, a marca dos 200 jogos de águia ao peito e, em entrevista aos canais oficiais do Benfica, a lateral falou sobre o sonho que sempre teve em representar o clube, assim como poder, um dia, pisar o relvado do Estádio da Luz, dois objetivos que já riscou do seu caderno de sonhos por realizar.

Adepta do Benfica "desde pequenina" por incentivo do pai, entretanto já falecido, Catarina Amado guarda um golo na Tapadinha, em pleno 19 de março, Dia do Pai, como um dos melhores momentos desde que chegou ao clube, em 2019/20.

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"Sou Benfica desde pequenina. O meu pai puxou-me muito para esse lado, a mim e ao meu irmão. Este sentimento que eu tenho acho que nunca vou esquecer porque, para além de já ser benfiquista e de viver o Benfica com uma grande intensidade, poder representá-lo ainda se torna mais especial, mais arrepiante. Eu todos os dias agradeço por me proporcionarem isto na minha vida porque, sem dúvida, é um sonho tornado realidade e eu só tenho a agradecer por conseguir concretizar", começou por dizer a defesa natural da Lousã, comentando de seguida a marca das duas centenas de jogos pelos encarnados: "Ter um marco desta dimensão, 200 jogos, são muitos jogos. Isto só me enche de orgulho porque sei o trabalho diário que eu tenho, a resiliência e a disciplina que eu tenho. Claro que eu não podia deixar de referir as condições que o Benfica, desde o início do projeto, nos fornece. Nós somos só quem dá a cara; por trás de nós, na sombra, há um conjunto de pessoas que trabalham para nós diariamente e eu não posso deixar de referir isso. O Benfica tem investido e apostado muito nisso para que nós consigamos atingir os objetivos pretendidos e isso, para mim, enche-me de orgulho. Claro que foi um marco muito importante, ainda por cima no meu clube do coração onde eu sonhava jogar - um sonho de menina - e isso ainda se torna mais especial."

Os melhores momentos no clube

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"Tenho dois grandes momentos. Tenho um momento que foi um golo que eu fiz, também na Tapadinha, a 19 de março, no Dia do Pai, onde dediquei o golo ao meu pai que, infelizmente, já é falecido. É um momento muito marcante para mim. E, sem dúvida, na Champions contra o Twente, o jogo que eu decidi o 2-1 e a nossa passagem também. É um momento muito marcante que eu tenho nestes 200 jogos. Claro que tenho muitos outros e, para mim, conquistar títulos foram sempre especiais. Esses jogos para mim são muito intensos, eu adoro ganhar. Ganhar pelo meu clube do coração ainda adoro mais. Claro que tenho muitos momentos muito bons - mais bons do que menos bons no Benfica, graças a Deus e graças também ao trabalho que o Benfica tem feito - mas estes, sem dúvida, foram os mais marcantes para mim e pessoalmente."

O amor pelo futebol

"Com quatro aninhos eu já jogava futebol no Lousanense e o meu sonho era jogar no meu clube do coração, que era o Benfica. Eu cheguei aqui como extremo e sinto que aprendi muito porque cheguei e havia atletas de muita qualidade onde eu consegui ganhar muita experiência e aprender muito com elas. Posteriormente, através das minhas características de ser veloz, rápida, adaptaram-me a lateral porque, na altura, também precisavam dessas características para o sistema que o treinador pretendia. Eu decidi arriscar porque era onde eu sentia que a equipa precisava de mim e porque não? Comecei a ganhar gosto também pela posição de lateral, senti que fui evoluindo. Na altura tinha pessoas com muita experiência - a Daiane e a Yasmin - que ainda hoje me recordo, atletas com muita experiência e de muita qualidade, e eu aprendi muito com elas, cresci muito. Hoje em dia sinto-me uma atleta mais versátil."

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A rotina diária no clube

"Desde que o Benfica tem equipa de futebol feminino tem ganho os campeonatos todos. Claro que as taças vamos conquistando umas, outras não, mas maioritariamente somos a equipa atualmente com mais títulos e isso não é por acaso. Nós temos todas as exigências possíveis: temos que ser disciplinadas e o Benfica exige isso mesmo. Nós acordamos super cedo, temos que estar aqui por volta das 08:00 ou 08:10 e aí começa a nossa rotina. Tomamos o pequeno-almoço, depois temos a parte da fisioterapia após o pequeno-almoço onde nos preparamos para o treino ou tratamos alguma queixa que a gente tenha. Temos o vídeo onde analisamos os adversários e a nossa própria equipa. De seguida vamos para a ativação do ginásio onde nos preparamos e onde nos aquecemos para o treino lá em cima, técnico-tático. Treinamos e posteriormente temos o ginásio ou o método de recuperação. Às vezes temos dinâmicas como de nutrição e a psicologia, que às vezes é importante dar essas informações e o 'desconhecido' que muitas vezes muitas de nós não sabemos, para sermos cada vez mais profissionais e irmos ao milímetro para termos a melhor performance possível."

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Os objetivos para a temporada

"Os objetivos são todas as frentes que ainda temos para ganhar; é para as conquistarmos, sem dúvida. Desde o campeonato, a Taça da Liga e a Taça de Portugal, é para conquistarmos e esses são os nossos grandes objetivos que estão ainda em jogo. Todos os dias trabalhamos para isso e vamos jogo a jogo. Sem pensar muito além, acho que o importante é um passo de cada vez e continuar com o nosso trabalho, com a resiliência e com a disciplina que o Benfica sempre teve, para conquistarmos estes objetivos que, sem dúvida, têm que ser atingidos."

O maior sonho

"Eu sei que já referi muitas vezes que o meu sonho era jogar no Benfica, mas eu achava, quando era miúda, que jogar no Benfica era jogar automaticamente no Estádio da Luz. Claro que eu tinha quatro anos nessa altura, mas hoje sinto que esse passo cada vez mais é notório e temos tido cada vez mais jogos no Estádio da Luz. Têm-nos dado essa oportunidade, o nosso presidente também está sempre presente connosco e tenta ao máximo dar-nos essas oportunidades. Acho que merecemos, visto o trabalho que tem sido feito aqui desde o início do projeto. Para mim é muito especial jogar no Estádio da Luz, eu sinto-me arrepiada a jogar no Estádio da Luz. Desde que vim para o Benfica sinto-me muito acarinhada pelos nossos adeptos, muito mesmo. Sinto cada vez mais o apoio deles, e não só para comigo pessoalmente como atleta, mas também para com a equipa. É normal que eles sejam exigentes. Eu, antes de ser atleta, era adepta e percebo o lado deles, percebo a exigência deles. Claro que nós, atletas, temos uma visão mais ampla, também somos humanos, também erramos. O erro faz parte da evolução e é assim que nós também crescemos. Mas percebo a exigência deles de 'só queremos ganhar' - e nós também só queremos ganhar e estamos a trabalhar todos os jogos e todos os dias para isso. Sinto que sou muito acarinhada pelos nossos adeptos e cada vez mais sinto esse apoio próximo deles. Eu tento ao máximo estar próxima deles também e dar-lhes o mesmo carinho que eles me dão a mim, mas acima de tudo retribuir-lhes da melhor maneira que é dentro de campo: dando o meu melhor, mostrando o quanto eu trabalho todos os dias e a disciplina que eu tenho, mostrando-lhes isso dentro de campo e dando o máximo que eu tenho pelo Benfica."

Por Sérgio Magalhães
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