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Ex-capitã da seleção do Brasil agora vende pão: «Diziam-nos para irmos lavar roupa no tanque»

Foto: CBF/Twitter
Foto: Globo Esporte

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Cenira Sampaio esteve nos Mundiais de 1991 e 1995

Cenira Sampaio envergou a braçadeira de capitã do Brasil nos Mundiais de 1991 e 1995, numa altura em que o futebol feminino era muito diferente do que é hoje em dia. Agora, ao contrário de muitos futebolistas masculinos da sua geração, ela vive bem longe dos holofotes. Trabalha na padaria de um mini mercado em Joinville, no estado de Santa Catarina.

"Tínhamos de reaproveitar os equipamentos masculinos, só depois de muita 'briga' é que conseguimos pelo menos tirar as estrelas das camisolas, que não eram nossas. Chamavam-nos 'sapatão' ou diziam 'vai lavar roupa num tanque porque o teu lugar não é aí", recorda Cenira, citada pelo Globo Esporte.

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A antiga média jogava no Esporte Clube Radar, do Rio de Janeiro, uma equipa que serviu de base para a seleção brasileira naquele período. "Ganhávamos 40 dólares quando éramos convocadas. No masculino pagavam 1000 dólares."

Por isso teve vários desentendimentos com Paulo Dutra, dirigente da CBF e então responsável pela seleção, que resultaram na perda da braçadeira de capitã no Mundial da Suécia, em 1995. No ano seguinte, foi deixada de fora da equipa e não participou dos Jogos Olímpicos de Atlanta. "Foi porque comecei a dizer que ganhávamos pouco. Era uma disparidade muito grande com relação à seleção masculina. Não esperava que chegássemos ao [nível] deles, mas queria que se atingisse um nível mais aceitável."

Em 1991 chegou a jogar grávida de cinco meses, sem o saber. Sentia-se desconfortável e procurou um médico, que lhe diagnosticou... um problema na vesícula. "A minha vesícula hoje tem 36 anos", brinca Cenira, referindo-se à filha, Nathalia. "Continuei a jogar grávida por algum tempo, mas depois parei. Os adeptos diziam 'estão dois em campo'." Na altura já era mãe de um menino de três anos.

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Encerrou a carreira em 2004, mas não abandonou por completo o desporto. Formou-se em Educação Física e fez um curso de arbitragem. 

Atualmente, nas folgas do trabalho no mini mercado a ex-capitã da canarinha apita jogos de futsal em Joinville. Mas o sonho é mesmo voltar ao futebol de 11 como treinadora...

Por Record
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