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Racing Power: sensação de alívio após 'erros graves'

Mariana Duarte
• Foto: Racing Power

“Vou ser muito sincera, a sensação é de alívio”, desabafou a Record a presidente do Racing Power, Mariana Duarte, horas após o clube da margem sul assegurar a manutenção na Liga BPI, apenas na última jornada. Ao fim da terceira época no principal escalão do futebol feminino português, o projeto esteve em risco de dar um enorme passo atrás, depois de um surpreendente 3.º lugar em 2023/24, na época de estreia, e de no ano passado ter chegado a sonhar com as competições europeias , antes de terminar a meio da tabela, na 6.ª posição.

“O que aconteceu? Foram erros graves que cometemos no início da época, nomeadamente com a contratação de elementos que não estavam por dentro da realidade do futebol português. E eu admito, genuinamente, que tenho alguma culpa nisto porque estive afastada, por motivos pessoais, até janeiro”, reconheceu Mariana Duarte, de 24 anos, que assumiu, em julho, a presidência do clube.

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Por isso, só quando ‘bateu o pé’, em janeiro, conseguiu alguma “estabilidade” numa época onde o Racing Power teve três treinadores. Mas as jogadoras, essas, foram completamente ilibadas. “Não atribuo a culpa principal às jogadoras. As contratações talvez não tenham sido as melhores, ou seja, a montagem da estrutura, da equipa, não foi a melhor, mas a culpa principal foi nossa, enquanto direção”, insistiu, deixando, no entanto, uma certeza: “Não merecíamos, a estrutura atual, andar com a ‘corda ao pescoço’ até à última."

À procura de estabilidade

Agora que o pior já passou, quisemos saber se o Racing Power vai voltar a sonhar com os lugares europeus na próxima época, mas a presidente do clube, para já, procura acima de tudo estabilidade. “Só quando o clube estiver estável é que eu consigo pensar nos troféus e nos lugares cimeiros. Os resultados são uma consequência da estabilidade”, apontou, acrescentando: “Quando falo em estabilidade é, sobretudo, a nível de estrutura e técnica, porque passámos por muitas mudanças ao longo da época e isto não é bom para as jogadoras. Eu até posso não ter o melhor plantel, mas se, à sua volta, tiver uma estrutura completamente desorganizada, não consigo passar mensagem nenhuma às jogadoras, por mais que tente."

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Albano Oliveira continua

Na busca da tal estabilidade, o primeiro passo do Racing Power para a nova época passa pela manutenção da equipa técnica que assegurou a permanência na Liga BPI. “Posso adiantar que o mister Albano Oliveira vai continuar connosco”, revelou Mariana Duarte ao nosso jornal. “Estamos bastante contentes com o seu trabalho. Foi difícil, é claro que houve resultados que não nos deixaram contentes, já com o mister Albano, mas vemos e reconhecemos que isso foi uma consequência do que se passou durante a época. Afinal de contas, contratámos um treinador, não um milagreiro”, reconheceu a líder do Racing Power. Albano Oliveira sucedeu, em janeiro, ao espanhol Yerai Martín que, por sua vez, tinha ocupado, dias antes do início da época, o posto do compatriota Manolo Cano, que rumo à China.

Grande desafio

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A dirigente assumiu a pasta da liderança apesar da tenra idade. “Ser presidente aos 24 anos é um grande desafio, mas dá-me algum gosto ter este tipo de responsabilidade. Mas sempre fui bastante organizada e com espírito de liderança desde pequena, penso que foi por essa razão que o meu pai me colocou neste cargo”, explicou Mariana Duarte, que é filha de Ismael Silvério, um dos fundadores do Racing Power e, também, Diretor de Futebol. “É difícil, porque a maioria das pessoas que trabalham comigo têm idade para ser meus pais. Com quem já me conhece, corre tudo bem. Outras pessoas ficam um pouco de pé atrás, mas com o desenrolar dos processos acabam por, de alguma forma, ficar espantadas. Já estou habituada."

Por Sérgio Lopes
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