Dolores Silva brilha no Sp. Braga: das janelas partidas à mensagem de António Salvador

Jogou pelo Atlético Madrid no encontro feminino com maior número de adeptos, no Wanda Metropolitano

• Foto: SC Braga

Dolores Silva é uma das figuras da equipa femina do Sp. Braga, sendo uma das habituais titulares no meio-campo arsenalista e autora de quatro golos em 2019/20. Regressou esta temporada ao Minho, depois de uma passagem bem sucedida pelo Atlético Madrid e, numa entrevista aos meios do clube bracarense, revisitou a sua carreira.

A começar pelo... início, quando partia janelas em Queluz. "Desde muito pequenina que só queria ter a bola nos pés. Como os meus pais tinham uma mercearia em Queluz, eu ficava até muito tarde a jogar futebol na praceta com os meus amigos. Chegámos a partir as janelas das casas, valia tudo. Lembro-me de chegar a casa sempre toda pisada porque jogava no alcatrão", conta Dolores, de 28 anos, que começou a jogar no Real Massamá.

"Joguei com o Abel Camará, foi o único que se tornou jogador profissional. Tenho muitas saudades dessa altura, os rapazes tratavam-me com muito respeito. Cheguei a ser capitã da equipa deles e tratavam-me super bem. Eram os primeiros a proteger-me dentro do campo", revela.

O percurso profissional começou no 1.º Dezembro, onde esteve alguns anos, até chegar a oportunidade de rumar à Alemanha para um dos mais poderosos clubes do futebol feminino. "Fui desviada dos Estados Unidos para a Alemanha. Estava a preparar há alguns meses a minha ida para os Estados Unidos, ia jogar para uma universidade com a Laura Luís e com a Mónica Mendes. Entretanto, tive a oportunidade de ir fazer testes ao Duisburg, uma equipa de topo na Alemanha, que tinha ganho a Liga dos Campeões. Tentei a minha sorte, as coisas correram bem e fiquei. Pedi desculpa aos responsáveis pela Universidade dos Estados Unidos (Brownsville), mas era impossível rejeitar a oportunidade de jogar naquela equipa", aponta.

E foi em terras germânicas, face à dificuldade em perceber o idioma local, que teve um episódio caricato, faltando a um treino que... não sabia ter existido. Valeu-lhe não ter sido multada! "Na pré-época, eu e uma colega minha italiana (Laura Neboli) não percebemos que o treinador disse que tínhamos treino bidiário no dia seguinte. Foi muito engraçado porque chegámos ao treino à tarde com a maior das naturalidades e ficámos surpreendidas quando nos disseram que já tinham treinado de manhã. Perdoaram-nos a multa, mas ficámos um bocado envergonhadas", recorda.

Dolores esteve quatro épocas no Duisburg e depois ao USV Jena, onde fez duas épocas. Em 2017/18 reforçou o Sp. Braga e, como já referimos, esteve no Atlético Madrid na temporada passada. Mas mesmo na capital espanhola assistiu aos êxitos das companheiras arsenalistas. "Quando fui para o Atlético de Madrid, disse para mim mesma que se algum dia voltasse a Portugal ia regressar para o Sp. Braga. Continuei a acompanhar o clube, lembro-me de, na final da Supertaça que o Sp. Braga venceu, ter pedido a uns amigos para me irem informando do resultado do jogo", conta, assumindo o estado de nervosismo perante o desenrolar da partida.

"De repente, recebo uma mensagem dos meus amigos a dizer que o jogo ia para pénaltis. O meu coração quase não aguentava, mas liguei a televisão. Quando ganhamos comecei logo a chorar ao ver a alegria dos adeptos e de toda a equipa. O presidente António Salvador mandou-me uma mensagem no final do jogo e disse que aquela Taça também era minha. Fiquei muito emocionada e nunca mais me vou esquecer", sublinha.

Foi ao serviço dos 'colchoneros' que Dolores participou no jogo com maior assistência em futebol feminino, um duelo entre Atlético e Barcelona que reuniu mais de 60 mil adeptos no Wanda Metropolitano: "Lembro-me que estava a ir a pé para o Estádio e já via imensas pessoas, fiquei impressionada parecia um jogo da equipa principal masculina. Às 11 da manhã já estavam a vender cachecóis na rua, carros a passarem com bandeiras do Atlético de Madrid, simplesmente impressionante. Quando entrámos para o aquecimento vimos tanta gente, tínhamos uma claque a puxar por nós, fiquei boquiaberta. Depois, ter o privilégio de nos equipar no balneário da equipa principal do Atlético de Madrid, ver todas aquelas regalias, sentias-te uma atleta de topo. Tinha uma coluna incorporada no balneário, tudo personalizado, tinha uma fotografia minha no meu lugar com o meu nome, até me arrepiei. Quando fui para o jogo e ouvi todos a cantarem o hino do Atlético de Madrid fiquei muito emocionada."

E essa temporada terminou de forma excelente para Dolores, pois sagrou-se campeã espanhola. "Quando fui para o Atlético de Madrid, fui em busca de títulos. Ser campeã da Liga Espanhola foi o concretizar de um sonho. Sinto que ajudei para aquilo acontecer e é algo que irá ficar sempre gravado na minha memória", diz.

No último verão regressou a Braga. "Era um desejo do clube e do presidente o meu regresso", admite. "Não podia ter regressado melhor, pois mal cheguei conseguimos o apuramento para a fase final da Liga dos Campeões. Este já é o meu clube do coração e regressar ao Sp. Braga foi a melhor coisa que me aconteceu, tenho a certeza", destaca.

Agora pretende somar títulos pelo emblema arsenalista e atingir novos patamares na seleção nacional, onde já superou as 100 internacionalizações. "Faltam-me títulos pelo Sp. Braga e quero voltar a estar numa fase final de um Campeonato da Europa por Portugal. São os meus principais objetivos", finaliza.

Por André Gonçalves
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