Mariana Cabral e a "final" com o Benfica: «Por mim jogava um dérbi todas as semanas»

Treinadora do Sporting não fugiu ao caráter decisivo do duelo com as encarnadas

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• Foto: Paulo Calado
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No domingo há dérbi de futebol feminino entre Sporting e Benfica e, como se já não bastasse ser um duelo entre rivais, este jogo pode ser preponderante para as contas do campeonato, uma vez que as leoas estão a cinco ponto das águias. Na antevisão à partida, a treinadora do Sporting, Mariana Cabral, assumiu que vai ser "uma final" e que gosta desta sequência de jogos consecutivos com as encarnadas.

Mais um jogo contra o Benfica e a matemática é muito simples, apesar do futebol e a matemática não andarem muitas vezes de mãos dadas, as contas são fáceis de fazer. Vocês olham mais para essas contas ou mais para aquilo que é o jogo e depois no fim logo se faz as contas? "Não, nós neste momento temos de olhar para nós, temos de olhar para aquilo que queremos fazer, para aquilo que queremos melhorar, não só em relação ao próximo jogo, mas na totalidade, na globalidade da equipa. Porque a verdade é que, se falarmos de campeonato, nós ganhámos ao Benfica, mas não é isso que nos fez estar na segunda posição. Foram outros jogos em que nós estivemos por cima, devíamos ter conquistado esses pontos, deixámos esses pontos voar. E portanto acho que aprendemos depois disso e melhorámos contra equipas com blocos mais baixos. Agora o nosso objetivo é melhorar em todos os jogos, crescer e neste jogo obviamente é ganhar. O resto é o que der".

Ainda há espaço para surpreender depois de tantos jogos já feitos à esta época contra esta equipa e ainda mais um que vai acontecer posteriormente? "Nós já nos conhecemos muito bem, o Benfica conhece muito bem a Sporting, o Sporting conhece muito bem o Benfica, mas a cada jogo há sempre pormenores que vão mudando, tanto de um lado como do outro lado, defensivamente e ofensivamente. Isso é interessante porque obriga-nos a tentar a perceber o que é que mudou do lado de lá e o que é que nós temos a ajustar. E do outro lado também ajustam uma coisa ou outra em relação àquilo que nós pretendemos fazer. Nesse sentido acho que é um jogo muito interessante em termos coletivos, além obviamente da qualidade individual das jogadoras, que é excecional, são das melhores jogadoras de Portugal".

Olhando precisamente para isso, a Mariana já conhece muito bem as jogadoras do Benfica. O que é que aponta como os principais pontos fortes e pontos fracos do outro lado? "Não vou agora dar trunfos ao adversário, mas toda a gente sabe que o Benfica tem uma equipa muito boa. Aliás, toda a gente viu isso perfeitamente na Liga dos Campeões contra o Lyon e não só. Individualmente é muito forte, mas coletivamente também é uma equipa que, na forma como marca praticamente individual, quer defender muito para a frente com risco máximo lá atrás. Isso traz vantagens, mas às vezes também traz alguns prejuízos. Queremos que traga mais prejuízos do que vantagens. Sabemos que têm muita qualidade, mas nós também temos muita qualidade. Têm sido jogos muito competitivos, muito bem disputados e creio que são jogos que, independentemente das competições, podem cair sempre para qualquer um dos lados".

No último jogo, a contar para a Taça de Portugal diante do Benfica, acho que, apesar da derrota, o Sporting acabou por perder três jogadoras muito importantes. Pergunto como é que estão especialmente essas três jogadoras, já estão recuperadas novamente? E foi um jogo em que o Sporting teve muitas ocasiões, se calhar as ocasiões de perigo mais flagrantes do jogo. O que é que é preciso fazer de diferente neste jogo agora a contar para o Campeonato Feminino? "Marcar golos. Sim, isso é fácil de dizer, mas mais difícil de fazer, porque de facto nós perdemos este jogo, mas criámos muito mais ocasiões de golo neste jogo do que no jogo anterior, em que ganhámos no Seixal por 3-1. Faz parte, o nosso trabalho é continuar a criar essas ocasiões de golo e tentar ser mais eficazes. De facto acho que fizemos coisas muito boas, mas depois o resultado acabou por, obviamente, não nos agradar, porque nós queremos sempre ganhar. Neste jogo esperamos conseguir corrigir isso e esperamos também que não haja tantas confusões na segunda parte, principalmente confusões no sentido de caos, de lesões, porque de facto estas três jogadoras lesionadas obrigaram-nos a mudar algumas coisas e também uma palavra para as jogadoras que entraram às vezes praticamente sem aquecer, foram excecionais, e entrar num jogo tão intenso assim, tão rápido, não é fácil. A Andreia Bravo neste momento não estará disponível, a Mariana Rosa e a Olivia Smith voltaram a treinar esta semana, em princípio irão estar disponíveis e portanto são boas notícias. Entretanto houve outras jogadoras nas seleções que se lesionaram e não vão estar disponíveis. Faz parte das épocas das equipas, nós em determinados momentos temos algumas jogadoras, em determinados momentos temos outras, mas elas sabem que todas têm um espaço e um lugar e que se treinarem bem são opção para a treinadora".

É certo que este não é o último jogo do campeonato, mas encaram este jogo frente ao Benfica como uma final para que o Sporting ainda possa ter uma palavra a dizer neste campeonato? Depois pergunto também como é que sentiu as jogadoras esta semana e sentiu nelas alguma ansiedade, que até pode ser positiva? "Ansiedade não senti nenhuma, até porque nós tivemos muito poucas jogadoras durante a semana. Mais de metade do plantel ou estava nas seleções ou estava no departamento médico e portanto foram treinos muito curtinhos, a cada dia foram-se tomando mais jogadoras, mas na verdade só hoje é que tivemos as jogadoras todas. Tanto este jogo como o seguinte para a taça, como o seguinte na Madeira, como o seguinte que é a final da taça da liga, todos os jogos até o final são finais. O nosso objetivo é dentro desses jogos, em cada competição, darmos o nosso máximo e ser competitivas em todos os jogos, isso é muito importante. Obviamente que depois com equipas tão boas como a Benfica, às vezes pode dar para um lado, às vezes pode dar para o outro. Às vezes até podemos ir a penáltis e perder, como já aconteceu no início da época, mas temos de ser competitivas, isso é o mais importante. Tem de estar na nossa cabeça, independentemente de quem esteja a jogar, independentemente do sítio onde jogamos, temos de ser competitivas e tentar e dar o nosso máximo para ganhar".

Vem agora uma sequência de jogos consecutivos frente Benfica. Para quem analisa os jogos, acaba por ser 'mais fácil' porque o adversário é sempre o mesmo. Para a Mariana, enquanto treinadora, dá-lhe mais gozo estes jogos ou preferia ter uma sequência de jogos diferentes? "O nosso analista praticamente está de férias esta semana, está sempre a analisar a mesma coisa. Faz parte, obviamente é uma sequência diferente, estranha, porque são três jogos seguidos e depois há uma semana em que intercalamos e depois voltamos a jogar, mas a verdade é que por mim jogava todas as semanas com o Benfica, sem desprimor para as outras equipas, mas é um dérbi, um jogo super intenso, em que toda a gente gosta de jogar, toda a gente está focada, toda a gente quer fazer tudo e porque é um jogo muito competitivo e é isso que nos faz crescer. São jogos difíceis, em que nós nunca sabemos bem o que é que vai acontecer e acho que isso tem acontecido, não só com o Benfica, mas com muitas das equipas da Liga BPI. É um sinal de crescimento da Liga e isso é importante que aconteça, porque quanto mais competitividade houver, melhores seremos".

Na antecâmara da partida, também a avançada Jacynta Gala esteve à conversa com os jornalistas e voltou a apontar para a vitória, deixando elogios ao Sporting e a Lisboa.

Como vê o desenvolvimento da equipa desde o jogo da Supertaça até ao próximo jogo contra o Benfica? "Acho que mudámos muito desde então. Foi há muitos meses e acho que, como equipa, entrámos mais na forma como jogamos, progredimos muito. Especialmente porque eu sou nova aqui, acho que temos melhores relações dentro e fora de campo e isso pode ser visto. Melhorámos muito desde a última vez.

A química agora está melhor? "Sim, exatamente. Acho que a química está muito melhor do que era no início".

A matemática e o futebol nem sempre estão de mãos dadas, mas os resultados são importantes. Neste tipo de jogos o desenho é fácil de fazer. Se o Sporting vencer, a diferença entre as duas equipas fica mais reduzida. Como é que vê este jogo, é decisivo para a conquista do título? "Sim, a energia no treino dá para ver que toda a gente quer dar tudo. Infelizmente, mesmo que vençamos, temos que esperar pelo resultado. Mas tudo o que temos de pensar é em como jogamos e no que podemos fazer. O que podemos fazer é ir lá para dentro e dar tudo o que temos e espero conseguir a vitória".

Se olharmos para o outro jogo que perderam no Seixal, há algumas coisas positivas para trazer para esta partida? "Sim, a 100%. Eu penso que fizemos um jogo incrível, só nos faltava no terço final conseguirmos marcar. Se tivéssemos mesmo finalizado uma das oportunidades, acho que nos teria dado um pouco mais de confiança e feito o Benfica recuar um pouco mais. O que nos falta é apenas o produto final".

Está na primeira época aqui no Sporting, o que acha do futebol português? Está feliz aqui? "Sim, estou muito feliz. Toda a gente me perguntava sempre como é jogar no Sporting e viver em Lisboa. É inacreditável, as palavras não podem descrever. É uma equipa tão acolhedora, todas as pessoas tão simpáticas e desde o primeiro dia eu senti-me em casa, por isso eu realmente gosto de estar aqui".

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