João Mário: «Salto para a Liga apagava esta desilusão»

Avançado está em final de contrato, mas não fecha nenhuma porta

• Foto: Direitos Reservados

O avançado João Mário, de 26 anos, compara o desapontamento proporcionado pelo ponto final no campeonato a uma espinha atravessada na garganta depois da expectativa que se gerou em torno do reatamento.  Defesa de uma circunstância de igualdade que acabou por não se verificar e que também é o ponto de partida para a obrigatoriedade de levantar a cabeça e focar a próxima temporada.

"O receio está presente em todos os jogadores, mas também estávamos todos com  vontade de jogar e a contar com o regresso, pelo que a decisão apanhou-nos de surpresa, principalmente porque foi inesperada. Um dia tudo apontava para uma coisa e no outro foi tudo por água abaixo. Não devia ser assim. Se não há condições para a 2ª Liga também não devia haver para o resto. Foi injusto, mas agora não podemos fazer nada", lamentou-se João Mário, que está em final de contrato com o Académico de Viseu e foi peremptório a lançar um argumento capaz de contornar a impotência do momento: "O sonho de dar o salto para a Liga apagava esta desilusão".

Ambição que o avançado defende ser legítima para qualquer jogador, apesar de também reconhecer o conforto que Viseu lhe proporcionou.

"Estive três anos no Chaves e outros três no Académico. Até parece uma coisa combinada e não escondo que o objetivo é voltar lá em cima e poder discutir argumentos com os grandes, mas temos de dar um passo de cada vez. Não sei o que acontecerá depois desta confusão toda, até porque identifico-me com Viseu e não estou na posição de poder fechar portas, apenas aspirar a outras coisas. Sou jogador do Académico até ao final de junho, mas qualquer projeto que apareça tenho de o abraçar e correr atrás do sonho, seja lá onde for", confidenciou o avançado, convicto que "é mais fácil jogar na Liga NOS": "Há mais espaço, enquanto na 2ª Liga não há tempo para respirar. Dominas, olhas e passas. Tens de pensar antes de receber a bola, caso contrário cai-te tudo em cima".

Pecados em casa
A estabilidade que o Académico de Viseu  usufruía no meio da classificação, já com 34 pontos amealhados, colocava em perspectiva uma reta final confortável. Patamar de acordo com a meta estabelecida, pese embora João Mário defenda argumentos para outros voos.
"A subida já seria difícil, mas, matematicamente, ainda era possível chegar lá em cima e esse era o nosso objetivo inicial. Estar nos lugares de decisão no momento fulcral da época. Acho que realizámos um campeonato equilibrado, mas pecámos em casa. Não sei se acusámos a pressão da iniciativa ou não correspondemos às exigências, mas no nosso reduto o plano não correu como pretendíamos", justificou João Mário.

Gratidão ao Benfica
João Mário chegou a Portugal na reta final da adolescência para representar os juniores do Benfica e, posteriormente, a equipa B. "Um sonho tornado realidade no meio de tantos craques", comentou o jogador, natural da Guiné-Bissau, reconhecendo que só se apercebeu da realidade depois de sair dos encarnados.
 "Vim para este país ainda miúdo, sem nada e tive a oportunidade de experimentar um mundo à parte. Foi um choque para a minha realidade, pelo que só tenho de ser grato por tudo o que o Benfica me proporcionou. Aprendi muito, como jogador e como homem. Não nos faltava nada. Só quando passei do Benfica para o Atlético é que vi como são as coisas e é essa a lição que os mais novos devem aprender rápido. Fazer as coisas direitinhas e agarrar ao máximo todas as oportunidades", confidenciou João Mário, satisfeito pela experiência acumulada: "A concorrência era enorme em função da qualidade, mas eu estava sempre lá. Muitas vezes na condição de suplente, mas estava lá e entrava".

Amigos do Seixal
São vários os expoentes com quem João Mário teve a oportunidade de privar ao serviço dos encarnados, mas houve um que lhe ficou na memória pelo potencial que demonstrou desde muito novo.
"Joguei Bruno Varela, Ivan Cavaleiro, Hélder Costa ou Sancidino, elementos com quem ainda hoje mantenho contacto, e a qualidade já estava lá. Aqueles não enganavam. O  André Almeida e o Gonçalo Guedes também já eram figuras de elevado destaque e, como também ia sempre ver os jogos dos juniores reparei  logo que o Renato Sanches ia chegar longe com aquela disponibilidade. Ele dava tudo em campo.

Rezar pela Guiné-Bissau
O contexto que forçou a paragem das competições é a grande preocupação de João Mário. Olho constante nos reflexos da pandemia da covid-19 também pelas consequências que pode representar para a Guiné-Bissau.

"Tenho lá a minha família. Pai, irmãos e rezo todos os dias para isto passar o mais rápido possível em todo o lado. Já há casos positivos na Guiné e só espero que não tenha o mesmo impacto, porque, se as coisas estão como estão nos países desenvolvidos, imagine na Guiné. Vai ser muito feio", desabafou João Mário.

Por Pedro Malacó
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