João Alves: «Dificilmente serei treinador da Académica no próximo ano»

Técnico abre o jogo numa ‘conversa de café’ com os jornalistas

João Alves
João Alves • Foto: José Reis
"Olá. Sente-se. O que quer beber? Coma aqui um bocadinho de queijo". João Alves, tal como fez durante todos os meses em que esteve em Coimbra, também na despedida quis ser diferente. O técnico, que agora termina o vínculo com os estudantes, chamou os jornalistas para uma ‘conversa de café’, onde, de forma totalmente aberta e descomplexada, abordou o passado, o presente e o futuro.

"Já tive dois convites e, para já, não aceitei nenhum. Um está fora de hipótese e o outro está em aberto. Mas neste momento estou confuso. Só admitiria continuar a trabalhar se fosse num clube que me oferecesse condições de lutar para ganhar. Se não for assim, então ficarei parado", começou por dizer o treinador, virando-se, depois, para a realidade da Briosa. "Hoje vou de férias e a minha perspética é que dificilmente treinarei a Académica no próximo ano. Quero meter-me à margem da luta eleitoral e dizer que a Académica está livre para procurar outro treinador e eu também estou livre para decidir o meu futuro. Quero libertar as pessoas de qualquer compromisso que tenham comigo", defendeu, antes de passar para um assunto que, de facto, marcou a sua passagem por Coimbra: o caso júnior. E, diga-se, João Alves não foi ‘meigo’ na análise.

"Houve um jogador que deu cabo do trabalho coletivo", frisou, apontando o dedo ao cabo-verdiano, antes de recordar todos os passos que antecederam o jogo de Famalicão, no qual o jogador se terá recusado a jogar. "Ele foi à seleção de Cabo Verde e eu tive uma grande influência nisso, uma vez que liguei ao Raúl Águas [n.d.r. Selecionar de Cabo Verde], que é meu amigo, e tentei alterar a ideia dele sobre o Júnior. Ele teve a semana toda fora, treinou, segundo o que sei, toda a semana normalmente. Depois veio, treinou bem no primeiro treino, depois houve 2 ou 3 treinos em que fez um trabalho de recuperação. Liguei-lhe, perguntei se podia contar com ele, e ele garantiu-me que estava impecável. Fomos para o estádio, em Braga, e quando estava a dar a palestra e disse o onze, ele disse que estava com uma dor no joelho e que, por isso, não podia jogar. Se houve coisas por trás do que aconteceu neste caso? Sem sombra de dúvidas que sim", atirou o treinador.

Apesar de não ter terminado como gostava que tivesse acontecido, João Alves faz um balanço positivo da sua passagem por Coimbra. "Houve uma recuperação fantástica até ao jogo com o Famalicão. Estou muito agradecido pelo convite que a Académica me fez. Saio daqui mais jovem. Gostei de sentir de novo a adrenalina de voltar a ser treinador", sublinhou.
Por Ricardo Chambel
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

Ultimas de Académica

Notícias

Notícias Mais Vistas