Rio Ave-Académica, 6-0: Um vendaval de golos com selo de qualidade
DECISIVO. Com Niquinha no meio-campo, o Rio Ave não melhora apenas um "niquinho". Não. Melhora substancialmente porque o médio brasileiro de qualidade insuspeita incrementa predicados – força, lucidez, vigor e serenidade... – tão fundamentais para o alto rendimento do conjunto vila-condense que a sua prestação merece ser destacada, sem embargo de uma nota elevadíssima para Hugo Henrique, que assinou quatro golos.
Mas se é verdade que há uma semana atrás o Rio Ave não ganhou em Freamunde porque o sector intermediário não soube travar o poder do adversário, também não restam dúvidas que, domingo, o caminho do triunfo começou a ser trilhado exactamente pelo "miolo" do terreno com o retorno à titularidade de Niquinha depois de ter cumprido um jogo de castigo. Aliás, foi o pernambucano quem construiu o golo que abriu o mercador na sua primeira incursão no ataque, assistindo Evandro para um belo golo.
A goleada justifica-se plenamente e, não fosse algum deslumbramento com o avolumar do "score", os seus números bateriam todos os recordes da história vila-condense. Hugo Henrique guardou a prenda ideal para o filho Gabriel que ontem comemorou um ano de vida e assinou quatro golos com uma dedicatória especial de um pai orgulhoso do rebento.
Endiabrado, o ponta-de-lança fez a diferença na frente de ataque e, inclusivamente, bateu a sua melhor marca pessoal depois de na temporada passada ter sido autor de um "hat-trick" contra o Salgueiros. Na arte de esmagar a Académica brilhou Hugo Henrique, mas não só porque os golos de Evandro e Alércio também têm um selo de qualidade.
O Rio Ave soma nove jogos consecutivos sem perder e caminha com segurança e total confiança para subida. A equipa joga a toda a largura do terreno, preenche os espaços, desequilibra e aniquila o adversário. Tudo muito simples e eficiente como exige e gosta Vítor Oliveira. Mas a primeira parte do jogo de ontem não foi boa, salvando-se apenas dois lances ofensivos depois de tantos passes errados nos primeiros 20 minutos.
Com pezinhos de lã a Académica logrou chegar algumas vezes à baliza contrária, mas não desequilibrou apesar do inconformismo de Dário. A etapa complementar trouxe um vendaval vila-condense que em poucos minutos destroçou um adversário vergado a um (v)exame de contornos como há muito não se via. A Académica está muito mal. Caminha sem passos seguros para lutar pelo regresso à I Liga e jornada após jornada está cada mais longe do topo da tabela.
Boa arbitragem de José Leirós.
Vítor Oliveira (treinador do Rio Ave): "O resultado corresponde às oportunidades criadas pelas duas equipas, embora reconheça que a diferença de valores não justifique uma diferença tão grande."
Hassan (treinador da Académica): "Nem a Académica é uma equipa para sofrer uma goleada destas, nem o Rio Ave é equipa para o ganhar por estes números. Na segunda parte perdemos a força anímica."