A grande história de Nené: foi 'pica' de autocarro, "irmão" de Nainggolan e sentiu-se mal com morte de Astori

• Foto: Bruno Teixeira Pires

Nené é, aos 38 anos, um dos grandes destaque da Liga Sabseg. O avançado brasileiro que já foi o melhor artilheiro da primeira liga portuguesa, ao serviço do Nacional, leva 11 golos oficiais esta época e, por isso, não equaciona retirar-se.

"Esta é a vida de um goleador. Tenho 38 anos e jogo como quando estava no Cagliari. No dia que eu parar de marcar, eu digo 'chega'. Esse dia ainda não chegou", revelou em entrevista ao portal 'Cronache di Spogliatoio'. O futuro já está preparado até porque o dianteiro revela que em maio vai "tirar o curso UEFA B de treinador", uma profissão que quer seguir quando pendurar as chuteiras que começou por usar já tardiamente.

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"Nasci numa família pobre. Dos 12 aos 17 anos, eu tinha a mesma rotina: acordar às 5 da manhã; depois, trabalhar até às 18 horas como 'pica' num autocarro e finalmente ia para a escola, a partir das 19 horas. Eu ia para a cama às 23 horas e [no dia seguinte] tudo começava de novo. Nunca estive numa escolinha de futebol em criança. Um dia um amigo convida-me para um jogo e havia vários observadores. Empatamos 3-3, mas eu marquei três golos. O resto é história", vincou o experiente futebolista que em Portugal passou ainda por Leixões e Moreirense.

Depois de brilhar no Nacional com 25 golos em 2008/09, rumou a Itália onde passou nove anos repletos de vivências na primeira e segunda ligas. Começou pelo Caglari muito por culpa... de fazer anos no mesmo dia do presidente.

"Quando o Massimo Cellino [n.d.r. presidente do Cagliari] soube que eu nasci no mesmo dia que ele, optou por me levar à força. O Milan também me queria. Ele [Cellino] tratou-me como um filho, só posso agradecer. Lembro-,e que de vez em quando ele vinha até mim e dizia 'Já viste? Tu és um sortudo. Nascemos no mesmo dia, agora tens de  marcar golos', afirmou Nené, que não esquece o golo a Buffon, contra a Juventus, a 25 de metros da baliza, de que ainda hoje fala.

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No Cagliari, foi colega de equipa do irreverente Radja Nainggolan, médio belga que, por exemplo, nunca escondeu que conjuga a carreira de futebolista com o consumo diários de cigarros. No balneário, o futebolista brasileiro chamou-o à razão. "Eu era um irmão mais velho para ele. Chamei-o à parte e repreendi-o. 'Pára de fazer porcaria, concentra-te, tu és um fenómeno, podes chegar a qualquer lugar'. Foi dos jogadores mais fortes que já", assumiu um dos atuais capitães do Vilafranquense, que passou por um momento atribulado com a morte de Davide Astori, capitão da Fiorentina, em 2018.

"No dia em que ele morreu eu estava em Bari. Quando soube, senti-me mal. Chorei o dia todo, sozinho, sem falar com ninguém. Sempre que vejo a Fiorentina a jogar vejo os adeptos pararem ao 13º minuto, em homenagem a ele, e estremeço. Eu conheci-o quando eu era muito jovem e ele costumava fazer-me uma marcação apertada durante o jogo. Levarei a memória dele dentro de mim para toda a vida", revelou Nené.

Por Flávio Miguel Silva
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