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Clubes da 2.ª Liga emitem comunicado corrosivo contra chumbo da distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA

Clubes da 2.ª Liga criticam chumbo da distribuição do mecanismo da UEFA
• Foto: Hugo Monteiro/Movephoto

Os clubes da 2.ª Liga emitiram este sábado um comunicado conjunto contra o , decidido em Assembleia Geral Extraordinária da Liga Portugal, esta sexta-feira, pelos emblemas da 1.ª Liga (12 votos a favor e seis contra). No texto, as sociedades do 2.º escalão fazem fortes críticas à "incoerência e memória curta" de alguns clubes, que alteraram o seu sentido de voto ou que, tendo passado pela 2.ª Liga em anos recentes, beneficiaram à altura dessa "solidariedade que hoje negam" a outros.

Os signatários, muitos deles que, como é hábito, tinham as verbas previstas nos seus orçamentos anuais, vincam que este episódio vem desunir o futebol português quando este "se prepara para discutir temas estruturais - como a centralização dos direitos televisivos e a revisão dos quadros competitivos -" e lamentam que o mesmo tenha acontecido num momento, "ainda mais grave", com "parte do país assolado por uma calamidade sem precedentes, com consequências severas na população e em muitas colectividades, incluindo também clubes da Liga Portugal 2, como é o caso da União de Leiria que ficou sem infraestruturas".

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Por fim, os emblemas destacaram os votos a favor de parte dos emblemas da 1.ª Liga, apelando a que outros se juntem a V. Guimarães e E. Amadora, que já anteciparam avançar com essa mesma distribuição a título individual. "Lamentamos que, apesar da maioria dos clubes profissionais em Portugal estar de acordo com a partilha das verbas, seis instituições tenham votado em sentido contrário. Apesar de não ter sido aprovado, não podemos deixar de reconhecer a postura exemplar e solidária dos 12 clubes da Primeira Liga, que de uma forma altruísta votaram a favor. De forma especial, os clubes da Liga Portugal 2 expressam ainda o seu público e profundo agradecimento ao Vitória SC e ao CF Estrela da Amadora. Estes clubes, num gesto de nobreza e responsabilidade para com o ecossistema do futebol, já se disponibilizaram a ceder a sua parte das verbas em prol dos clubes do escalão secundário. Apelamos, por fim, a que os restantes clubes que votaram favoravelmente possam seguir este exemplo de solidariedade, minimizando os danos causados por uma decisão que consideramos injusta e prejudicial ao futuro do futebol nacional. Pela sustentabilidade e dignidade do futebol português", conclui-se.

Eis o comunicado na íntegra:

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"Os clubes signatários, que integram a Liga Portugal 2 Meu Super, vêm por este meio expressar a sua profunda indignação e preocupação face ao que se assistiu na última Assembleia Geral da Liga Portugal, que resultou - no entendimento da Mesa da Assembleia Geral - no chumbo da revalidação da partilha do mecanismo de solidariedade da UEFA aos clubes da referida competição. A nossa posição baseia-se nos seguintes pontos:

1. A Quebra de uma Expectativa Legítima

A distribuição destas verbas pelos clubes do segundo escalão acontece há mais de uma década. Na época anterior, o entendimento inequívoco dos clubes da Segunda Liga (e também da grande maioria da Primeira Liga) era que a decisão aprovada seria válida por três temporadas. Com base nesta confiança e na estabilidade que se exige na gestão desportiva, estes valores foram devidamente inscritos nos orçamentos dos clubes. O chumbo atual, ocorrido a meio da época, retira abruptamente uma verba orçamentada, criando um desequilíbrio financeiro grave e inesperado nas contas das nossas instituições.

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2. Incoerência de Voto e Memória Curta

É com total incompreensão que assistimos à inversão de voto por parte de clubes que, na época transata, votaram favoravelmente à partilha deste mecanismo. Mais se recorda que todos os clubes que hoje votaram contra esta medida já militaram, no passado recente, na Segunda Liga. Beneficiaram, por isso, da solidariedade que hoje negam aos atuais intervenientes, revelando uma preocupação meramente conjuntural e desprovida de visão sistémica.

3. Um Golpe na União e na Formação

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Num momento em que o futebol português se prepara para discutir temas estruturais — como a centralização dos direitos televisivos e a revisão dos quadros competitivos — esta votação serve apenas para dividir uma Liga que deveria trabalhar pela união. Além disso, esta decisão ataca diretamente o coração do nosso futebol, a Formação. A não afetação destas verbas coloca em risco direto as academias e escalões de formação que, em muitos casos, são geridos pelos Clubes e não pelas SADs, dependendo criticamente destes fundos.

4. Um momento particularmente desafiante

Numa altura em que uma parte do país foi assolado por uma calamidade sem precedentes, com consequências severas na população e em muitas colectividades, incluindo também clubes da Liga Portugal 2, como é o caso da União de Leiria que ficou sem infraestruturas, é ainda mais grave esta decisão que afeta diretamente a pirâmide do futebol nacional, sobretudo a sua base, em nada prestigiando a indústria que deveria ser um exemplo e aqui, pelo contrário, está em contra-vapor ao movimento solidário em que o país se encontra, a favor da Região Centro.

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5. Reconhecimento e Apelo

Lamentamos que, apesar da maioria dos clubes profissionais em Portugal estar de acordo com a partilha das verbas, seis instituições tenham votado em sentido contrário. Apesar de não ter sido aprovado, não podemos deixar de reconhecer a postura exemplar e solidária dos 12 clubes da Primeira Liga, que de uma forma altruísta votaram a favor. De forma especial, os clubes da Liga Portugal 2 expressam ainda o seu público e profundo agradecimento ao Vitória SC e ao CF Estrela da Amadora. Estes clubes, num gesto de nobreza e responsabilidade para com o ecossistema do futebol, já se disponibilizaram a ceder a sua parte das verbas em prol dos clubes do escalão secundário.

Apelamos, por fim, a que os restantes clubes que votaram favoravelmente possam seguir este exemplo de solidariedade, minimizando os danos causados por uma decisão que consideramos injusta e prejudicial ao futuro do futebol nacional. Pela sustentabilidade e dignidade do futebol português.

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Os Clubes da Liga Portugal 2."

Por André Monteiro
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