Record

Braço-de-ferro iminente entre Liga de clubes e jogadores

EM CAUSA A REALIZAÇÃO DA 16ª JORNADA ENTRE O NATAL E O FIM DO ANO

A Liga de Clubes e os jogadores profissionais da Superliga e II Liga estão em rota de colisão por causa da realização da 16ª jornada marcada para o dia 29 de Dezembro. Está em marcha uma mobilização colectiva dos futebolistas no sentido do adiamento da jornada, mas a Liga não se mostra receptiva, alegando compromissos de calendário que não são susceptíveis de alteração.

Mas os jogadores estão tão determinados a levar por diante a sua reivindicação que assinaram um abaixo-assinado, o qual fizeram chegar ao Sindicato para dar entrada muito em breve nos serviços da Liga, solicitando que a jornada seja realizada em data posterior. E essa determinação pode ser aferida pela predisposição dos jogadores em adoptar posições mais radicais, como a greve, se a Liga não for sensível aos seus argumentos. "Esperamos que a Liga tenha o bom senso de entender e atender a vontade expressa dos jogadores. Caso contrário, poderão ser tomadas medidas mais duras, dentro dos mecanismos da Lei. São os jogadores que realizam e desenvolvem o espectáculo e a sua voz não pode deixar de ser ouvida sobre matérias do seu interesse" – alerta o presidente do Sindicato, António Carraça.

Tudo começou há cerca de um mês, quando alguns capitães de equipa e jogadores mais representativos, com um relacionamento regular com o Sindicato, levantaram esta questão que seria debatida em duas reuniões, uma no Porto e outra em Lisboa, na sequência das quais todos os jogadores que compõem os plantéis dos 36 clubes da Superliga e II Liga subscreveram o referido abaixo-assinado.

A FPF, que também recebeu do Sindicato dos Jogadores uma cópia com o pedido de adiamento da 16ª jornada, está ao lado da Liga. Alega, por um lado, que o calendário foi tornado público em Maio e que ninguém se manifestou contra, e por outro, que o adiamento da jornada em causa para uma quarta-feira iria prejudicar os clubes da II Divisão B e III Divisão, que têm de disputar quatro jornadas a meio da semana dado o excesso de equipas em competição.

Quem também não vê com bons olhos um interregno nesta época festiva são muitos responsáveis de clubes e treinadores, por temerem que alguns jogadores reapareçam com peso a mais e percam o ritmo competitivo já adquirido.

Independentemente das razões que assistem às partes, constata-se que nos últimos dez anos, só nas épocas 93/94 e 95/96 é que se realizou uma jornada entre o Natal e o Fim do Ano. A regra tem sido não se jogar nesse período. Em 92/93, a 17ª jornada iniciou-se com um Paços de Ferreira-Sporting, no primeiro dia do novo ano, prosseguiu com um Marítimo-FC Porto, a 2 de Janeiro, e concluiu-se no dia 3 com os restantes jogos.

Já nas principais Ligas europeias, com excepção da Inglaterra, onde se tornou tradição haver futebol no próprio dia de Natal [este ano realizar-se-ão jornadas a 26 de Dezembro e nos dias subsequentes, incluindo o primeiro dia do ano], verifica-se que não há competição entre o Natal e o Fim do ano, variando os interregnos entre os quinze dias e mês e meio.

Cunha Leal: «Falta respeito pelo público»

"Será que falamos de um desporto de amadores? Pensei que o assunto já morrera porque o sindicato enviou à Liga um ofício a pedir o adiamento da jornada. Respondemos que não havia hipóteses por falta de datas disponíveis. A SuperLiga acaba a 1 de Junho, no dia 7 e 10 a selecção de sub-21 tem dois jogos oficiais de apuramento para o Europeu, nos dias 8 e 11 a selecção A joga dois particulares, e dia 15 disputa-se a final da Taça de Portugal. Além disso, de acordo com os regulamentos não é possível alterar a data do final do campeonato e os jogos da 1ª volta têm de ser disputados até 12 de Janeiro. Um interregno entre 22 de Dezembro e 5 de Janeiro, não daria hipótese de reunir os clubes e fazer uma jornada entre 5 e 12 de Janeiro. Os clubes que não quiserem jogar a 29 de Dezembro que cheguem a acordo e adiem o jogo, dentro dos regulamentos. O Benfica-Gil Vicente foi antecipado para 4 de Dezembro. Na II Liga o Alverca já fez os jogos das jornadas de 29 e 5 de Janeiro. A greve é um direito, mas o futebol é uma competição profissional, uma indústria, e não faz sentido que haja um hiato tão grande na competição. Seria uma falta de respeito pelo público."

António Carraça: «Não é um capricho»

"Há dois anos, logo no início da época, o sindicato teve uma reunião com a Liga e a FPF, na qual se chegou a um consenso no sentido de haver uma paragem de duas semanas no período de Natal e Ano Novo. A época passada, isso não aconteceu por causa do Mundial, visto que a selecção ia entrar em estágio em Maio. Os jogadores compreenderam a situação e não levantaram objeções. Este ano a Liga e a FPF não deram abertura para que o Sindicato ratificasse o acordo de há dois anos. Falámos, refilámos, mas não fomos atendidos. É a Liga que organiza, mas a FPF tem o poder de alterar o calendário. Os jogadores não querem furtar-se ao trabalho, mas são seres humanos, precisam de estar com a família nesta época festiva e tendem a comer mais e a descansar menos. Não se trata de um capricho ou de uma atitude de menor rigor profissional. Trata-se de uma posição justa e razoável. Além disso, o adiamento da jornada não interfere com nada. Não há jogos da selecção, não há Taça UEFA e a jornada pode realizar-se a uma 4ª feira ou o campeonato pode acabar uma semana mais tarde. Aliás, excepto em Inglaterra, todas as Ligas europeias param nesta fase do ano."
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de 2ª Liga

Notícias

Notícias Mais Vistas

M