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João Brandão, treinador do FC Porto B, vê como "fundamental" a criação na sua equipa de um "cenário e ambiente" que "seja muito próximo do da equipa principal". No podcast 'The Pitch Invaders', cujas declarações foram reproduzidas pelos azuis e brancos no seu site, o técnico falou dos "valores inegociáveis" para um jogador dos dragões, assim como "o orgulho de representar o clube, a cidade e a região norte" de Portugal. João Brandão também deixou o seu elogio a André Villas-Boas, que acredita ter trazido uma "nova visão" ao clube.
Influências e competição
“O treinador é um ladrão de ideias para criar a sua própria ideia e a partilha de conhecimento é fundamental, ainda mais no futebol. Aqui temos uma equipa B que joga num campeonato profissional, o que é um contexto muito diferente. Competimos num campeonato profissional e podemos descer de divisão. É o mesmo que imaginarmos uma equipa de sub-20 a competir na Série B do Brasil. O contexto aqui é bem diferente.”
Trajeto de crescimento
“Fui alguém que não tinha muito jeito para a prática do jogo, mas não vou encontrar desculpas para o facto de não ter conseguido ser jogador. Sendo muito honesto, rapidamente percebi que talento estava fora de mim, por isso tinha de abraçar outras paixões ligadas ao futebol. Fruto da minha relação com o futebol, pois o meu pai trabalhou 50 anos no futebol [n.d.r.: Fernando Brandão, conhecido como Moreno, antigo roupeiro do FC Porto], cresci e respiro o balneário desde muito novo. Tinha apenas dois meses quando vi o primeiro jogo. A minha paixão pelo futebol e pelo FC Porto vem de berço, literalmente. Depois, convivi com diferentes treinadores e diferentes realidades que construíram o João Brandão que sou hoje. Somos aquilo que vivemos e comecei a treinar muito cedo, com apenas 20 anos, mas valorizo cada etapa da minha carreira. A concorrência é grande e há grandes treinadores por aí, por isso tento atualizar-me constantemente.”
Requisitos para ser jogador
“Paixão e competência são fundamentais. Estou na iniciação de uma nova fase da minha carreira, com jogadores jovens e profissionais, já jovens adultos. Esses dois requisitos são os pilares e os alicerces na construção de um jogador de futebol. Depois há a estabilidade emocional e outros fatores importantes, sobretudo fora do campo. A competência significa que os melhores jogam a um nível melhor. O futebol, como a vida, vive de oportunidades.”
Virtudes e defeitos da nova geração
“Esta nova geração tem muitas virtudes e muitos defeitos, tem muita pressa e vive muito das expetativas, do amanhã, valorizam pouco o hoje. Temos de os fazer perceber o contexto e a realidade e dotá-los de competências que os preparam para o futuro. É importante sabermos inspirá-los e dar-lhes confiança. Inspirar e confiar é fundamental para o líder. Se aceitarem a nossa ideia, eles vão ter mais paciência consoante vão estando envolvidos no processo. O envolvimento deles no processo, hoje em dia, é absolutamente decisivo. Esta nova geração quer perceber o que faz, o porquê e onde vão chegar. É uma geração com características muito próprias porque a sociedade mudou. Não conseguimos chegar ao jogador se não entendermos o jovem adulto que temos à nossa frente, por isso temos de criar mecanismos para chegarmos rápido a eles. Uma das vantagens que esta geração tem, é um melhor conhecimento do jogo, têm acesso a informação que há 10 ou 15 anos ninguém tinha. Tentamos encontrar ferramentas que tenham impacto neles, todos os dias. Fazemos exercícios individuais diferentes para cada jogador, por exemplo. O nosso trabalho individual é muito direcionado para isso mesmo, para o individual.”
Na B como no plantel principal
“Na equipa B é fundamental criarmos um ambiente e um cenário que seja muito próximo daquilo que é a equipa A. Isso só acontece se existir a exigência de ganhar que existe na equipa A. Para formarmos jogadores com marca Porto, temos de formar jogadores vencedores. Só se torna vencedor na vida e no futebol quem ganha muitas vezes. Esse hábito de ganhar tem de estar presente, abraçamos essa pressão de ganhar. É algo que faz parte do nosso dia a dia e ajuda-nos a desenvolver jogadores. As prioridades vão mudando ao longo do ano e vão mudando quase individualmente para cada jogador. Aqui, a maior parte deles convive com a adversidade pela primeira vez e isso também é importante, pois prepara-os para responderem melhor a essas adversidades no futuro. O cenário da equipa B também é um cenário de exigência. Coletivamente temos de ser competentes e, mais uma vez, recorro aos valores do Clube: a equipa está sempre em primeiro lugar.”
O jogador à Porto
“Resiliência, a forma como nos superamos diariamente, a forma como sabemos que temos de fazer o dobro dos outros para ter o mesmo resultado, são valores inegociáveis para quem representa o FC Porto. Sentimos o orgulho de representar o FC Porto, a cidade do Porto e a região Norte. Também queremos formar jogadores que tenham capacidade mental e física para serem ser protagonistas num jogo. Independentemente do campo e do adversário, vamos jogar sempre para ganhar. Temos feito crescer os nossos jogadores para um jogo mais agressivo, mais vertiginoso e sem deixar respirar os adversários.”
Maior dose de juventude
“Essa diminuição da média de idades na equipa acontece por vários fatores. Em primeiro lugar, pela tal visão que o presidente trouxe de uma nova forma de estar no espaço da equipa B. O mercado está cada vez mais agressivo e isso leva a que a equipa B seja um espaço de prospeção para fazer chegar jogadores de 16 ou 17 anos, como aconteceu recentemente. Aqui, eles encontram o contexto ideal e o tempo necessário para conseguirem render futuramente na equipa A. Por outro lado, como a média de idades baixa, há dores de crescimento na capacidade competitiva da equipa. Há uma visão muito clara e muito segura daquilo que queremos para a equipa B, sobretudo nas derrotas e nos momentos em que se colocam dúvidas sobre este projeto.”
O impacto de André Villas-Boas
“Acima de tudo, o presidente trouxe uma visão. Uma visão sobre o clube enquadrada naquilo que é o mercado e naquilo que é o mundo do futebol atualmente. Trouxe também uma visão para as equipas e para aquilo que é jogar dentro do FC Porto. É transversal a todas as equipas a forma como queremos que os nossos jogadores entrem em campo. Além dessa visão, o presidente trouxe aquilo que é uma organização e uma estrutura que permite que os jogadores tenham todas as condições para desenvolver o seu jogo e que os treinadores tenham todas as condições para desenvolver as suas equipas. Os resultados estão à vista, na última época conseguimos que todas as equipas de futebol do FC Porto fossem vencedoras. Isso representa o trabalho diário que temos feito.”