Jorge Pinto: «O Feirense foi competente e ganhou o jogo com todo o mérito»

• Foto: José Gageiro/Movephoto

O Feirense conseguiu dar a volta ao desaire em Lourosa na primeira partida do playoff de manutenção e permanência e cumpriu o objetivo da época, manter-se no segundo escalão do futebol português.

Na conferência de imprensa Jorge Pinto reconheceu a competência do adversário, mas não esqueceu a temporada que o clube amarelo e preto fez nem o apoio "brutal" dos adeptos.

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O Feirense fez aqui o que o Lourosa não fez em casa, foi eficaz. Foi isso que fez a diferença?

"Sim, penso que sim. Foi uma eficácia tremenda hoje do nosso adversário, ao contrário da nossa eficácia no jogo em nossa casa, onde não conseguimos materializar as oportunidades. Hoje o Feirense foi mais eficaz. Na 1ª parte a única situação que estava identificada por nós, eles conseguem fazer golo. Na 2ª parte controlaram o jogo de forma mais competente do que nós e acabam por levar de vencida esta eliminatória."

A equipa esteve diferente, para pior, em relação ao primeiro jogo ou foi o Feirense que o surpreendeu?

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"Foram mais competentes. Nós não fomos competentes hoje e o Feirense foi competente e ganhou o jogo com todo o mérito. No cômputo geral das duas eliminatórias há um equilíbrio muito grande. Na nossa casa fomos muito superiores, com um caudal e com muitas situações de golo, que o Feirense, hoje, não as teve, foi é muito eficaz hoje. No cômputo geral isto vale pouco, mas o que conta é quem marca golos e o resultado tende para o Feirense e eles foram mais eficazes e conseguiram a eliminatória."

Valeu a maior experiência dos jogadores do Feirense neste playoff e neste segundo jogo perante a massa adepta?

"Neste segundo jogo alguns jogadores tiveram aquém daquilo que é o habitual. Sentiram muito o calor no jogo. Não estou a dizer que a responsabilidade é dos jogadores, o responsável sou eu, mas alguns deles, que são muito importantes, não conseguiram desbloquear alguns problemas dentro do jogo. Quando assim é e o adversário é competente, as coisas tornam-se mais difíceis. Estamos muito tristes, vejo jogadores a chorar e vejo uma cidade a chorar neste momento. Queríamos muito dar uma alegria à cidade e aos nossos adeptos, não conseguimos. Acho que dignificamos muito a nossa cidade e os nossos adeptos. Demos uma imagem brutal daquilo que é Lourosa, principalmente no outro jogo, em nossa casa. Uma paixão enorme dos nossos adeptos, dos nossos jogadores, do nosso staff e da organização. Isto aporta-nos maturidade para o futuro, aporta-nos crescimento e vamo-nos agarrar a isso. É um dia triste para nós e para a cidade, mas de certeza que eles estão orgulhosos de nós porque demos tudo aquilo que tínhamos e o que não tínhamos. Quando assim é, acho que estamos tristes, mas com a sensação que demos tudo o que tínhamos para dar."

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Não há vitórias morais, mas esta equipa técnica e jogadores fizeram sonhar os adeptos.

"Sim, hoje a nossa saída de Lourosa foi algo brutal. Um carinho enorme dos nossos adeptos e da nossa cidade. Depois não fomos competentes a transportar esse lado emocional para o jogo, a gerir essa parte emocional. O que nos invade é a tristeza da ilusão que criamos. É uma ilusão real porque criamos as condições para podermos chegar à 2ª Liga. Tenho de referir é a maior eficácia de uma equipa e que controlou melhor os detalhes. Quando uma equipa não tem eficácia fica sempre mais difícil."

A última imagem que fica é dos adeptos a despedirem-se com aplausos aos jogadores e à equipa técnica.

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"Os adeptos foram inexcedíveis. Sei que estão muito tristes e eles estando tristes, nós também estamos. Mas sabem que demos temos, fizemos aquilo que estava ao nosso alcance. Os jogadores correram, lutaram, trabalharam, mas muito coração e pouca cabeça hoje, muita emoção e pouca lucidez."

Dois jogos bastante diferentes. O Lourosa podia ter ganho o primeiro jogo por uma margem mais alargada e hoje foi uma equipa mais apática. O que falhou neste jogo em relação ao primeiro?

"O que falhou foi não conseguirmos por em prática tudo o que é a nossa identidade dentro de campo. Quando digo identidade não é caráter. Identidade é o nosso jogo. Não conseguimos por em prática o nosso jogo e hoje algumas individualidades tiveram muito abaixo daquilo que é o normal e quando assim é contra uma equipa de uma escalão superior, muito mais maturada e com outro tipo de maturidade, nota-se muito. Hoje essa individualidade da nossa parte não apareceu e quando não aparece torna-se muito mais difícil."

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Surpreendeu a entrada do Feirense em campo? Habitualmente entrava com uma linha de três e hoje entrou com uma linha de quatro.

"Não estava a contar que fossem mudar a estrutura da equipa, mas rapidamente nos adaptamos e não foi por isso que o resultado tendeu para o lado do Feirense. Mas surpreendeu-me a mudança da estrutura, apesar de nos termos adaptado rapidamente. Não foi isso que causou este resultado."

Este jogo não apaga a época que o Lourosa fez, apesar do resultado ser negativo. Que lições tira deste momento para catapultar o clube na próxima temporada?

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"Se calhar fizemos a melhor época das últimas décadas do clube a nível de visibilidade dos jogadores, do clube e da cidade. O que levamos para o futuro é este play-off, é estar dentro destes contextos decisivos. Quando se está dentro destas decisões, naturalmente que aporta-nos maturidade a todos, ao clube, aos jogadores, à equipa técnica e é isso que levamos. Agora, muito orgulhoso daquilo que fizemos nesta época, como disse e bem, uma época muito boa. Num certo momento na primeira fase desta fase final criamos uma vantagem muito, muito confortável e que não conseguimos depois geri-la e que nos atirou para este play-off. Este momentos decisivos aportam sempre maturidade e outro tipo de estofo, como se costuma dizer, para o futuro. Muito orgulhoso dos meus jogadores por tudo aquilo que fizemos dentro desta época e que não apaga a grande época que fizemos, se calhar, a melhor época das últimas décadas do clube. Não foi coroada com aquilo que queríamos, a subida, mas fica sempre algo para transportarmos para o crescimento do clube e acho que isso fica bem vincado para todos."

Sente que faltaram soluções vindas do banco?

"Não. Este é o plantel que temos e tentamos sempre otimizá-lo ao máximo. Mexi naquilo que achava que era necessário, sabendo que um prolongamento condiciona sempre as substituições dentro do próprio jogo. Podíamos ir a prolongamento e ficar mais condicionados. As soluções que temos são estas e acredito muito nos jogadores e em quem tenho."

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Se as duas equipas, em termos qualitativos, são muito equiparadas, reconhece que esta eliminatória foi decidida por um jogador?

"Por um jogador?" 

Neste caso do Feirense, o Sérgio Conceição.

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"Neste segundo jogo foi ele que fez dois golos e acaba por desbloqueá-lo. Na 1ª parte, como já disse, num lance que estava identificado porque é um jogador que dá muita profundidade pelo corredor. Ele aparece e faz o golo na única situação que eles têm na 1ª parte. Se formos por aí, ele fez dois golos e, se calhar, é o homem do jogo. Sim, foi ele que fez os dois golos e quem faz golos ganha os jogos. Ele foi muito eficaz. No penálti é diferente, mas ele também bate bem. Se calhar, foi."

Por Record
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