Manta fugiu da baliza para marcar golos

Os amigos chamam-lhe “melão”

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A infância de Nuno Manta não foi das mais fáceis. Com os pais separados, cedo o agora treinador refugiou-se nos livros e no futebol, percebendo que seria pela sua força e empenho que subiria na vida. Licenciou-se em Educação Física e Desporto no Instituto Piaget e cedo começou a dar aulas, na Amadora. Nessa altura, já conquistava o seu espaço no Feirense.

"Veio para o clube com 18 ou 19 anos e foi meu adjunto nos sub-15. A mãe estava emigrada na África do Sul, ele vivia sozinho e perguntou se podia ir para minha casa. Claro que aceitei... Depois começou a dar aulas. Ia para a Amadora ao domingo, voltava às terças para dar treino, regressava e voltava às quintas para outro treino. Passou por muito e sofreu muito... Cresceu sozinho e talvez por isso seja uma pessoa algo fria. Mas nunca se perdeu e a prova esta à vista", recorda o amigo e antigo treinador do Feirense, Adolfo Teixeira.

Com as ideias a amadurecer rapidamente, Nuno Manta também teve uma curta e pouco marcante carreira como jogador. "Sempre jogou com os amigos e só por volta dos 16 anos foi para o Sanfins. Era guarda-redes, mas fartou-se que os colegas corressem pouco e pediu ao treinador para jogar na frente. Tornou-se um trinco incansável, já como sénior dos Amigos do Cavaco onde jogou até aos 28 anos. Tinha dois pés esquerdos [risos], mas dava tudo em campo. Ainda hoje, quando nos juntamos, se orgulha de nunca ter falhado um penálti. Fala disso muitas vezes", conta Bruno Magno, amigo de longa data e que com Nuno Manta também trabalhou nas camadas jovens do Feirense.

Tantas desilusões

Um dos maiores segredos do agora treinador é a origem da alcunha. "Entre amigos, tratamo-lo por ‘Melão’, já vinha dos tempos em que ele jogava no Sanfins e foi ficando", confirma Bruno Magno, uma informação que Record já tinha. Todos os jogadores conhecem a alcunha, mas, naturalmente por respeito, nunca a utilizam...

"O Nuno foi muitas vezes adjunto da equipa principal, mas depois voltava sempre à formação. Foi preciso um grande poder de encaixe para se sujeitar a isso. Foi duro para ele. Tem uma grande personalidade e foi aguentando", finaliza Adolfo Teixeira.

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